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Terça-feira, 23 de julho de 2024

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196 km²

Desmatamento na Amazônia Legal teve redução de 63%; MT lidera área com derrubada de floresta

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Desmatamento na Amazônia Legal teve redução de 63%; MT lidera área com derrubada de floresta
O desmatamento na Amazônia Legal teve seu 11º mês consecutivo de redução, em fevereiro, e o primeiro bimestre de 2024 representa a menor derrubada da floresta nos últimos seis anos, desde 2018. Os dados foram apresentados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), na segunda-feira (18), por meio do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD).


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De acordo com o SAD, a devastação em janeiro e fevereiro atingiu 196 km², 63% a menos do que nos mesmos meses em 2023, quando foi detectada a destruição de 523 km².

Entre os nove estados que compõem a Amazônia Legal, apenas dois deles apresentaram aumento no desmatamento em fevereiro, sendo o Maranhão e Roraima. No Maranhão, a devastação passou de 2 km² em fevereiro de 2023 para 5 km² no mesmo mês deste ano, uma alta de 150%, e Roraima, onde a destruição foi de 19 km² para 26 km², 37% a mais.
 
Porém, no acumulado do bimestre, apenas o Maranhão fechou com alta. No estado, a derrubada acumulada em janeiro e fevereiro de 2024 fechou em 8 km², ante 7 km² no mesmo período do ano passado, um aumento de 14%
 
“Apesar da área desmatada no Maranhão ter sido a sexta menor no bimestre, esse aumento requer atenção, uma vez que todos os outros estados tiveram queda. Observamos que a derrubada neste estado está avançando para dentro dos territórios de áreas protegidas, como a Reserva Biológica do Gurupi e a Terra Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra”, comenta Bianca Santos, pesquisadora do Imazon.


 
Já Mato Grosso registrou uma redução de 74% no desmatamento, no 1º bimestre deste ano, em comparação com os dados de 2023. No período anterior, 242 km² de área foi desmatada, enquanto neste bimestre foi um total de 63 km².
 
Apesar do registro positivo, o estado ainda lidera o ranking em relação ao tamanho das áreas desmatadas, em janeiro e fevereiro. Mato Grosso representa 32% em relação ao total de área da Amazônia Legal. Em segundo lugar, vem Roraima com 30%, e depois Amazonas com 16%.
 
Juntos, eles somam 152 km² de florestas derrubadas no bimestre, 77% de toda a destruição detectada na Amazônia.
 
No caso de Mato Grosso, o avanço do desmatamento está ocorrendo principalmente por causa da expansão agropecuária, com destaque para municípios como Feliz Natal, Nova Maringá, Juína, Juara, Marcelândia e Canarana, todos com presença nas listas dos 10 que mais destruíram a floresta em janeiro ou fevereiro. Os dois últimos, Marcelândia e Canarana, inclusive apareceram em ambos os meses nesses rankings. 
 
“Esses três estados apresentaram redução no desmatamento se compararmos este bimestre com o mesmo período do ano passado, com quedas de 74% em Mato Grosso, 59% no Amazonas e 3% em Roraima. Porém, para sair do topo do ranking, precisam intensificar suas ações de combate à derrubada nas áreas críticas e criar mais incentivos para a economia com a floresta em pé”, explica Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon.



Desafio para redução

Apesar da boa notícia, o primeiro bimestre de 2024 ainda apresentou um desmatamento acima do registrado no mesmo período entre os anos de 2008 (quando o instituto implantou seu monitoramento por imagens de satélite) a 2017, com exceção apenas de 2015. Em todos os outros anos, a derrubada permaneceu abaixo dos 150 km².
 
Se compararmos com as capitais brasileiras, a área de floresta perdida em janeiro e fevereiro na Amazônia supera os territórios de três delas: Vitória (97 km²), Natal (167 km²) e Aracaju (182 km²). Já se equipararmos com campos de futebol, a devastação no primeiro bimestre chegou a quase 327 por dia.
 
“Esses dados mostram que ainda temos um grande desafio pela frente. Atingir a meta de desmatamento zero prometida para 2030 é extremamente necessário para combater as mudanças climáticas. Para isso, uma das prioridades do governo deve ser agilizar os processos em andamento de demarcação de terras indígenas e quilombolas e de criação de unidades de conservação, pois são esses os territórios que historicamente apresentam menor desmatamento na Amazônia”, afirma Larissa.
 
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