Olhar Direto

Notícias / Cidades

Usada para lavagem de dinheiro de facção criminosa, loja de informática movimentou quase R$1 milhão

Da Redação - Fabiana Mendes

08 Ago 2018 - 16:16

Foto: Divulgação - Lenine Martins

Usada para lavagem de dinheiro de facção criminosa, loja de informática movimentou quase R$1 milhão
A Polícia Civil durante as investigações da operação "Red Money" identificou que uma empresa, localizada em Várzea Grande, denominada J.J Informática, foi criada, principalmente, para promover lavagem de dinheiro e movimentar os valores da facção criminosa. Durante um período de quatro meses, a empresa movimentou cerca de R$ 800 mil. Porém, nenhuma das movimentações e pessoas identificadas tinha ligação com o objeto social da empresa, ao contrário das pessoas que realizaram transações com o estabelecimento.

A movimentação bancária da facção chega a cifra de R$ 50 milhões. No entanto, o delegado Luiz Henrique de Oliveira, coordenador de Inteligência da PJC, pondera que não é possível afirmar que todo o dinheiro 'arrecado' seja de um único ato criminoso 'desenvolvido' pela facção.

Leia mais: 
Facção movimenta R$ 50 milhões; bando cobrava pontos de tráfico e extorquia comerciantes

A operação foi deflagrada nesta quarta-feira (08) pela Polícia Judiciária Civil, sob a coordenação da Diretoria de Inteligência e a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).

Constituída em fevereiro de 2017, a empresa pertence a Jonas Souza Gonçalves Junior, conhecido por Batman, e sua esposa Jeniffer Lemes (presa na operação). Ele é condenado por assalto a agências bancárias, tratando-se de um dos principais líderes da facção criminosa e um dos responsáveis pelo departamento financeiro da organização.

Em análise financeira, a Polícia Civil descobriu que a J.J Informática, em apenas quatro meses, movimentou cerca de R$ 800 mil. Porém, nenhuma das movimentações e pessoas identificadas tinha ligação com o objeto social da empresa, ao contrário das pessoas que realizaram transações com o estabelecimento. Pelo menos 180 possuía antecedentes criminais ou algum vínculo pessoal com criminosos e condenados pela Justiça, grande parte deles presos na Penitenciária Central do Estado.

Durante o ano de 2017 foram descobertos dezenas de envolvidos no esquema financeiro. Ao lado da J.J Informática, outras contas bancárias foram identificadas e definido um “núcleo de liderança”, no que se refere à movimentação financeira da facção criminosa. No período de 1 ano e 6 meses, houve circulação de montantes entre R$ 5 milhões a  R$ 800 mil, dependendo do CPF.

A partir disso, a Polícia Civil chegou ao líder da facção, com papel de comando na parte financeira. Trata-se de Francisco Soares Lacerda (Brasília), que utilizou-se, principalmente, da esposa para movimentação ilícita e aquisição patrimonial.

Sistema de Arrecadação

O sistema de arrecadação financeira da facção investigada na operação “Red Money” assume formato de pirâmide. No topo está o núcleo de liderança e na base dezenas de contas bancárias, com movimentação menor, que fazem a captação de dinheiro, e, gradativamente, fazem o repasse às contas maiores.

No período de um ano e meio (01/06/2016 a 18/01/2018), entre entradas e saídas de 44 contas investigadas na operação, foram identificados movimentação de aproximadamente R$ 52 milhões.

O delegado Luiz Henrique de Oliveira, Coordenador de Inteligência da Polícia Civil, disse que a deflagração da operação corresponde ao fechamento de uma etapa importante da investigação e agora iniciará um trabalho mais técnico, de análise dos documentos apreendidos, interrogatórios, oitiva de testemunhas, identificação de outros suspeitos

Conforme ele, além das prisões, o objetivo principal é a apreensão do patrimônio e descapitalização da organização criminosa. “A operação Red Money indica que a Polícia Judiciária Civil avançou um degrau na forma de se combater as facções criminosas no Estado, precisamos focar no aspecto financeiro e patrimonial para enfraquecer essas organizações criminosas”, frisou.

O delegado da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Diogo Santana, chamou atenção para o fato de que várias pessoas forneceram conta bancária para que fosse movimentado dinheiro ilícito, e, agora, terão que informar a mando e interesse de quem fizeram isso. “Qualquer pessoa que empresta sua conta bancária para movimentar valores ilícitos pode incidir no crime de lavagem de dinheiro”, afirmou.
 

3 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Olhar Direto. É vedada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Olhar Direto poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

  • Fluêncio
    09 Ago 2018 às 09:53

    Não adianta a polícia atuar sem ter um respaldo dos nossos Senadores e Deputados Federais, como? fazendo nossas leis mais rigorosas, acabar com a lei de execuções penais, a polícia pode até prender hoje, mas daqui há pouco estarão soltos, é assim mesmo, sem contar que os presos usam os aparelhos a hora que bem entenderem, isso não é privilégio só do Estado de Mato Grosso, por outro lado o povo deveria conhecer os meandros do Direito Constitucional que permite que as escolhas políticas do STF, STJ, Tribunais de Contas, um jogo de cartas marcadas, alíás o STF que aumenta o próprio salário e isso acabou de acontecer, ontem aumentaram o salário em 16%, ai vem o efeito cascata, aumentam salário dos parlamentares em todo o Brasil, a lei de que ser rigorosa do Presidente da República a um simples cidadão ou bandido, ela é para todos.

  • BECO
    09 Ago 2018 às 09:38

    O crime organizado e competente do que o estado, na sua organização.

  • Jango
    08 Ago 2018 às 17:25

    Nota mil pra polícia . Agora pro trabalhador tudo é tão difícil, é tanto imposto, tanta burocracia que chega desanimar: vamos ver se a receita Federal vai incomodar esse povo.

Sitevip Internet