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Sexta-feira, 24 de junho de 2022

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Tecnologia do futuro

Polêmico pela alta emissão de carbono, NFT já tem artista de Mato Grosso adepto; conheça

Foto: Reprodução

Obra da coleção Bored Ape Yatch Club, disponibilizada em NFT

Obra da coleção Bored Ape Yatch Club, disponibilizada em NFT

A compra de itens digitais não é uma grande novidade no mundo virtual. Principalmente por conta de jogos online — desde a “Colheita Feliz” no Orkut ao “Fortnite”, os usuários desembolsam quantias variadas para adquirir itens que só podem ser utilizados no meio online há pouco mais de uma década. Entretanto, a compra e venda desses itens está em um processo de revolução, por conta do NFT.

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Essa sigla vem sendo discutida fervorosamente há cerca de dois anos e ganhou força ao longo de 2021 com inúmeros artistas ao redor do mundo — como Neymar — apostando no non-fungible token (NFT), que em tradução livre para o português significa token não fungível. O produto é um conteúdo digital com criptografia em blockchain, um certificado de propriedade que não pode ser alterado.

Assim, é possível comprar quase tudo do meio digital, inclusive memes. Em dezembro de 2021, por exemplo, o meme da pequena Chloe, famosa por sua reação ao descobrir que vai para Disney, foi vendido em formato NFT por US$ 73.900 (cerca de R$ 420,5 mil, em conversão direta). Já a imagem de um cachorro, o “Doge”, foi vendida em julho de 2021 por cerca de US$ 4 milhões (mais de R$ 22,7 milhões, em conversão direta).

Adepto em Mato Grosso

Rafael Jonnier conta em entrevista ao Olhar Conceito que a disponibilização em NFT de suas obras começou há cerca de dois meses, após dois anos de pesquisa de mercado. Para ele, o NFT é o futuro tecnológico, principalmente com a chegada do Metaverso, do Facebook, que gera a expectativa do uso deste tipo de certificado digital criptografado durante as futuras transações.

“Acreditamos que veio para ficar. As criptomoedas existem há 10 anos. No começo, ninguém acreditava”, lembra. “Hoje muitas empresas multinacionais aceitam criptomoedas como pagamento de seus produtos. Isso só tem a crescer. (...) São coisas que vimos em filmes e hoje já é real. Metaverso e NFT, tudo isso vai ser o futuro. Aliás, já estamos vivendo isso”.

Toneladas de carbono

Apesar de ser considerado um grande avanço tecnológico, o NFT vem sendo duramente criticado por especialistas por conta da alta emissão de carbono. Inclusive, um site foi criado para calcular estimativas do impacto ambiental da arte criptografa, mas encerrou suas atividades em março de 2021. A justificativa dada por Memo Akten, criador do site, foi de que as informações disponibilizadas estavam gerando abuso e assédio.

O site era considerado essencial por conseguir exemplificar o impacto ambiental de algumas transações. Segundo o site (via Terra), a cantora Grimes, por exemplo, registrou 303 edições de um vídeo como NFT e vendeu cada uma por US$ 7,5 mil (cerca de R$ 39,7 mil). A venda consumiu 122,416 kilowatts-hora de eletricidade, equivalente a quase 79 toneladas de dióxido de carbono na atmosfera emitidos pelas usinas elétricas. Essa quantidade de energia poderia alimentar uma residência na Europa por mais de 30 anos.

Jonnier pontua ao Olhar Conceito que é consciente desta poluição. Por este motivo, optou por uma plataforma que emitisse menos carbono. “Escolhemos uma plataforma que polui menos”, assegura. “Nós nos preocupamos, mas é algo muito complicado de se falar agora. Existem mais de dois mil bancos que comercializam NFT. Os principais são cerca de 15. Fizemos um estudo para saber qual estava poluindo mais”.

Propriedade de quem?

Outro ponto levantado pelos especialistas é que apesar dos compradores se tornarem “donos”, o produto segue disponível para o público na maioria das vezes. Ambos os memes ilustrados nesta matéria, por exemplo, podem ser usados por qualquer um. O certificado de propriedade apenas garante que determinada imagem pertence a alguém, mas não impede que usuários da internet tenham acesso a ela. Pelo menos por enquanto.

Artista mato-grossense, Rafael Jonnier acredita que há muitos compradores que buscam aderir a esta tecnologia pelo status de possuir uma obra em NFT. “Muitas pessoas falam como status, não é mesmo? ‘Só eu tenho o NFT do Jonnier’”, exemplifica. Para ele, acaba ficando a cargo do criador da obra viabilizar formas de agregar valor à obra original, de modo que as cópias - por mais que existam - não influenciem em sua relevância.

Atualizada às 18h53, e 7 de fevereiro de 2021.
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