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Terça-feira, 23 de julho de 2024

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Papa: igreja tem que reconhecer por que fiéis se afastam dela

Rio de Janeiro, 27 jul (EFE).- O papa Francisco disse neste sábado que é preciso uma igreja católica que se dê conta das razões pelas quais muitas pessoas se afastam dela e que reconheça isso com coragem e saiba escutar.


Francisco fez estas declarações no discurso que dirigiu aos bispos brasileiros, perante os quais afirmou que a Igreja não pode se afastar da simplicidade, e esta não deve ceder ao medo, ao desencanto, ao desânimo e às lamentações.

O papa disse que talvez a igreja se mostrou distante demais das necessidades dos homens, 'pobre demais para responder a suas inquietações, fria demais, prisioneira de sua própria linguagem rígida' e que isso propiciou o abandono de muitos.

O pontífice também disse que talvez o mundo tenha transformado a igreja em 'uma relíquia do passado, insuficiente para as novas questões' e que 'talvez a igreja tinha respostas para a infância do homem, mas não para sua idade adulta'.

'O fato é que atualmente há muitos casos, não só os que buscam respostas nos novos e difusos grupos religiosos, mas também aqueles que parecem já viver sem Deus, tanto na teoria como na prática', argumentou.
Perante essa situação, o papa se perguntou o que é preciso fazer para chegar de novo aos homens.

'É preciso uma igreja que não tenha medo de entrar de noite, que saiba dialogar com aqueles discípulos que, fugindo dela, vagam sem uma meta, sozinhos, com seu próprio desencanto, com a decepção de um cristianismo considerado já estéril, impotente para gerar sentido', afirmou.

O pontífice acrescentou que é preciso uma igreja capaz de acompanhar, 'de ir à frente do mero escutar, uma igreja que possa decifrar essa noite que entranha a fuga de tantos irmãos e irmãs, que se dê conta de que as razões pelas quais há quem se afaste contêm já em si mesmas também os motivos para um possível retorno, mas é necessário saber ler o todo com coragem'.

'Queria que hoje nos perguntássemos todos: Somos ainda uma igreja capaz de inflamar o coração?', questionou.
O papa afirmou que muitos se foram 'porque lhes foi prometido algo mais alto, algo mais forte, algo mais veloz'.
Francisco ressaltou que a igreja há de lembrar sempre que não pode se afastar da simplicidade, já que, caso contrário, esquece a linguagem do mistério e não só fica fora, mas nem sequer consegue entrar naqueles que buscam Deus.

'Sem a gramática da simplicidade, a Igreja se vê privada das condições que fazem possível 'pescar' Deus nas águas profundas de seu mistério', declarou.

Francisco críticou a globalização 'implacável' e disse que, embora tenha coisas positivas, muitos esquecem seu 'lado obscuro', no qual há 'confusão do sentido da vida, a desintegração pessoal, a perda da experiência de pertencer a um ninho, a violência sutil, mas implacável, a ruptura interior e as fraturas nas famílias, a solidão e o abandono'.

Em relação aos desafios da igreja no Brasil, o papa destacou a necessidade de dar prioridade à formação de bispos, sacerdotes, religiosos e laicos, uma maior colegialidade da conferência episcopal, estar em estado permanente de missão e um maior papel da mulher na igreja.

Francisco reivindicou o direito de anunciar o Evangelho com liberdade e defendeu a Amazônia.
'A igreja está presente na Amazônia desde o princípio com missionários, congregações religiosas, e ainda hoje está presente e é determinante para o futuro da região', afirmou. EFE
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