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Sexta-feira, 26 de abril de 2024

Notícias | Economia

Indústria paulista demitiu 130 mil trabalhadores em dezembro

O nível de emprego na indústria paulista caiu 5,64% em dezembro do ano passado em comparação com o mês anterior. Segundo o levantamento mensal divulgado hoje (26) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com o ajuste sazonal, a queda foi de 2,72%. Foram demitidos 130 mil trabalhadores nas indústrias do estado. Quando comparado o mês de dezembro de 2008 com o mesmo período de 2007, a queda foi de 0,27%, 7 mil demitidos.


O setor de produção de açúcar e álcool foi responsável por 61% do índice, com 80 mil demissões em dezembro. No acumulado do ano, a participação do setor nas demissões chegou a 62%, com menos 4 mil trabalhadores empregados.

No entanto, o diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp, Paulo Francini, disse que o setor não preocupa tanto nesse aspecto, porque é comum praticamente “zerar” o emprego no campo no fim do ano. “Sempre ocorre e, nesse setor, todos as anos há uma grande perda de empregos, assim como há grande geração de empregos a partir de fevereiro e março, quando começa a fase de plantio, para depois entrar na fase de colheita.”

Além disso, Francini destacou que os setores que demandam crédito são os que saem na frente nas demissões – as maiores variações ocorreram no setor de máquinas para escritório e equipamentos de informática (-29,5%), coque, refino de petróleo, combustíveis nucleares e álcool (-24,9%), alimentos e bebidas (-20,5%) e couros, artigos de couro, viagem e calçados (-9,8%).

“O nível de emprego acaba interferindo na renda disponível, que é quem alimenta a demanda. Ou seja, há um certo momento em que o emprego acaba afetando a demanda”, explicou.

Francini ressaltou que o impacto da crise no nível de emprego da indústria foi mais forte do que o esperado, já que a entidade esperava fechar o ano com crescimento de 2% nas contratações. “Ficamos decepcionados pelo rigor no nível de emprego ocorrido nos meses de novembro e dezembro, que fez com que o ano de 2008 saísse com resultado negativo.”

Ele atribuiu o resultado à crise econômica global e disse que um dos aspectos marcantes da crise é a velocidade e a violência. “Onde ela chega mostra realmente seu poder de devastação muito forte, grande e rápido. Tivemos, em um curto espaço de tempo, destruída a geração de emprego que acumulamos durante o ano de 2008.”

O diretor da Fiesp evitou fazer previsões sobre o nível de emprego na indústria porque a crise demorou certo tempo para chegar ao Brasil – até chegou a inspirar otimismo de que não chegaria ao país. “Mas chegou e aqui desembarcou e se estabeleceu também. Por ter chegado tarde, os efeitos dela ainda estão se promovendo”. Ele acredita, porém, que os próximos três meses deverão registrar reduções no emprego.

Francini criticou o governo, dizendo que o país perdeu tempo discutindo se a crise chegaria, ou não, ao país. “A certeza de a crise chegar era absoluta, portanto, ter um tempo de dúvida discutindo se ela iria, ou não, chegar foi perda de tempo, no qual podia-se prever as medidas a serem tomadas ou implementá-las diante da certeza de sua chegada.”
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