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Quinta-feira, 05 de agosto de 2021

Notícias | Cidades

Casa de Amparo atendeu 459 pessoas no ano passado, entre mulheres vítimas de violência e crianças

De janeiro a novembro do ano passado, passaram pela instituição 164 mulheres e 295 crianças, totalizando o atendimento a 459 pessoas. A coordenadora Eliane Vitaliano explica que elas em geral chegam com os filhos pequenos, desestruturadas emocionalmente e sem perspectiva de futuro. São mulheres jovens, com idades entre 18 e 35 anos. Em seis anos, a instituição ofereceu suporte a 710 mulheres e 1.083 meninos e meninas.

No ranking de agressões, em primeiro lugar está a ameaça. Em segundo, lesão corporal; seguido por vias de fato (briga); estupro; tentativa de homicídio e maus-tratos. Apesar de não ser um fator determinante, a dependência financeira influencia o silêncio das mulheres, principalmente, na periferia. É comum o marido minar a auto-estima e a cidadania da mulher por todos os lados, ao destruir documentação, instrumentos de trabalho, impedir de arrumar emprego ou de estudar. Com muitos filhos para criar e numa situação cultural de “obediência”, elas agüentam por muito mais tempo as sessões de agressões.

Desde dezembro, a casa já está funcionando com mais quatro quartos e dois banheiros; um espaço nessa nova ala será destinado à brinquedoteca. A secretária de Assistência Social e Desenvolvimento Humano, Celcita Pinheiro, pontua que a ampliação refletirá de imediato no aumento da capacidade de atendimento de 34 para 50 mulheres, mas o que importante mesmo é manter a qualidade da assistência oferecida. “Comecei a auxiliar a instituição enquanto deputada, mas como a vida dá voltas, acabei à frente da secretaria para dar continuidade ao que comecei”.

Na avaliação da gestora, é importante o atendimento ser individualizado, por isso os esforços foram para colocar em práticas as adequações, que devem continuar este ano. Inaugurada em agosto de 2002 pela Prefeitura de Cuiabá, o abrigo teve ampliação do muro com instalação de cerca elétrica; construção de salas para laborterapia (costura, confecção de peças artesanais, etc) e apoio pedagógico (às crianças que chegam junto com as mães). Também houve a instalação de horta e aquisição de um parque infantil.

Recomeço - Depois de 13 anos convivendo com a violência, C.O., 27, mãe de quatro crianças, resolveu colocar um ponto final no casamento. O problema maior era quando o parceiro ingeria bebida alcoólica, pois fica “fora de si”, brigava por qualquer besteira, dizia palavras de baixo calão e fazia ameaças diárias. Há dois meses está na instituição, a dona-de-casa busca encontrar um novo rumo para a vida. O apoio para o recomeço tem sido fundamental. “A gente havia separado, mas por falta de recursos, ficamos na mesma casa, mas a convivência era insuportável, as crianças vinham sofrendo muito com tudo, até que resolvi dar um basta”.

Foram 17 anos de muita luta ao lado do ex-marido. J.S., 32, saiu de casa com as cinco crianças faz um mês. Não se arrepende. Um dos filhos, que tem mais de 12 anos, está com a família, os demais estão abrigados juntos na instituição. Ainda abalada, com medo, diz que não sabe o que faria sem a ajuda da equipe de profissionais. “As agressões eram mais verbais, quando ele começou a me ameaçar percebi que deveria fazer alguma coisa e denunciei”.

Serviços: Atendimento com assistente social, psicológico para mulheres e crianças, individualizado e em grupo, pedagógico, laborterapia, atendimento médico (na rede de Saúde) e pediátrico (com uma profissional voluntária) e acompanhamento jurídico.
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