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Arte gera renda e retira reeducandos da ociosidade

Da Redação/Com Assessoria

01 Jan 2009 - 11:13

No ano de 2004, Wilian Alves Vieira, 48 anos, cumpria o regime fechado no Centro de Ressocialização de Cuiabá – antigo Presídio do Carumbé. No mesmo ano, participou de oficinas de capacitação e aprendeu a confeccionar calçados. Hoje, cumpre pena no regime semi-aberto, comercializa suas criações e ainda repassa os conhecimentos a outros reeducandos.

Para muitos, a prisão é, unicamente, um local de contenção de pessoas – uma detenção. Porém, a pena de prisão já determina nova finalidade, com um modelo que aponta que não basta castigar o indivíduo, mas orientá-lo para que possa ser reintegrado à sociedade de maneira efetiva, evitando com isso a reincidência.

Em 2008, 10 unidades prisionais e cadeias de Mato Grosso (Penitenciária Ana Maria do Couto May, Presídio Pascoal Ramos, Major Eldo Sá Correa, Penitenciária de Sinop e Centro de Ressocialização Cuiabá (CRC), Casa do Albergado, e Cadeias Públicas de Várzea Grande, Juína, Mirassol D’Oeste, Arenápolis e Penitenciária de Sinop) ofereceram qualificação e capacitação em técnicas artesanais, possibilitando a redução da criminalidade e proporcionando geração de emprego e renda para os reeducandos.

Atividades artísticas, educacionais e capacitações são algumas das ações que a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MT) desenvolve com os reeducandos do Sistema Prisional de Mato Grosso. Além de ajudar a reduzir a ociosidade e proporcionar nova profissão, as ações têm beneficiado os reeducandos com uma ajuda de custo e a remissão de pena, onde a cada três dias trabalhados é reduzido um da pena.

Nas unidades, atividades de laborterapia/trabalho, já reúnem mais de mil reeducandos que desenvolvem trabalhos que vão desde o cultivo de hortas, serviços gerais, oficinas de artesanato, marcenaria, costura, fábricas de bola, sandálias, confecção de bonecas, salgados, tratoristas, fábrica de vassouras, fábrica de manilhas, de cadeira de fio, refrigeração, construção civil etc.

Para viabilizar a comercialização dos materiais que já são produzidos nas unidades prisionais e cadeias públicas do Estado, a Sejusp criou a Fundação Nova Chance que, entre outras atribuições, coordena a remuneração do reeducando nos termos da Lei de Execuções Penais (LEP). Parte do dinheiro arrecadado pela comercialização será revertida para a manutenção do preso.



Marcos Negrini/Setecs-MT

Artesanato de reeducandos exposto na Feira do Artesanato.

RECONHECIMENTO - Os projetos de ressocialização em Mato Grosso tem tido destaque no cenário nacional e, em alguns casos, até internacional, a exemplo das bonecas confeccionadas pelas reeducandas da penitenciária Ana Maria do Couto “May”, em Cuiabá. São mais de 300 personagens que foram expostos na “36ª Gift Fair Brazilian International”, que aconteceu em março de 2008, em São Paulo. Em outubro, algumas peças foram expostas na “Art Mund – Feira Internacional de Artesanato”, também em São Paulo.

Divulgando as peças confeccionadas pelos reeducandos em feiras de artesanato, a Fundação Nova Chance colabora para o surgimento de novos talentos. “Ver que o trabalho é comercializado com tanta receptividade e aceitação faz com que os reeducandos sintam-se engrandecidos”, destaca a presidente da Funac, Neide Mendonça.

A repercussão e qualidade da arte feita nas prisões de Mato Grosso trazem novas perspectivas de futuro para aqueles que exercem a criatividade enquanto aguardam a liberdade. “Pretendo montar meu próprio negócio e continuar trabalhando com projetos de ressocialização. Quero oferecer a mesma oportunidade que tive”, afirma o reeducando Wilian Alves Vieira que expôs algumas de suas criações na 7ª Expo Brasil.

NOVA CHANCE – A Fundação Nova Chance trabalha com a ressocialização do preso e atendimento à sua família, através de ações no âmbito social, profissionalizante, de saúde, educação e assistência social.

Em 2009, a Fundação Nova Chance pretende firmar parcerias para a criação de novos projetos de ressocialização. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone: 3613-5505.

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