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Sábado, 14 de dezembro de 2019

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Delegado cita combate a criminalidade, mas vê frustração da sociedade com legislação e impunidade

Da Redação - Fabiana Mendes

19 Ago 2018 - 08:24

Foto: Rogério Florentino Pereira/OD

Delegado cita combate a criminalidade, mas vê frustração da sociedade com legislação e impunidade
Frustração. Esse é o sentimento que o coordenador de Inteligência da Polícia Judiciaria Civil, o delegado Luiz Henrique de Oliveira expressou quanto aos membros de facções criminosas que são investigados durante meses e  acabam soltos no dia pouco tempo depois. A fala foi proferida durante coletiva de imprensa sobre a operação "Red Money", que durou 15 meses e cumpriu 94 ordens de prisão, além do bloqueio de contas bancárias e da indisponibilidade de bens dos envolvidos. A atividade policial resultou ainda na apreensão de pelo menos 60 veículos, avaliados em R$ 1,7 mi de reais. 

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“Olha, a Polícia Civil vai investigar sempre. Esse é nosso dever, e o que a gente gosta de fazer. Claro, que isso tem um pouco de frustação, não resta dúvidas. Mas não é uma frustração minha por ser policial, é frustração da sociedade, porque a gente não gosta de viver num pais com impunidade. Essa é a questão. Um problema que a gente precisa resolver quanto sociedade”, ponderou o delegado.
 
“O secretario [Gustavo Garcia] pontuou muito bem, nós temos que seguir a regra do jogo. Muitas vezes gostaríamos de dar uma resposta mais rápida, mas você não pode ofender direitos. Por exemplo, para entrar em uma casa você precisa de uma ordem judicial. Para você quebrar dados telefônicos, você precisa de uma ordem judicial. Para você conseguiu um extrato bancário, você precisa disso. Então, isso leva tempo. Você tem hoje, de um lado uma pressão, que hoje é os Direitos Humanos, questão de respeito. E outra é a cobrança da sociedade para diminuição da criminalidade. Mas isso não vai abalar em nada, não vai diminuir em nada a nossa intenção de combate o crime, pode ter certeza”, asseverou.
 
O secretário de Segurança Pública de Mato Grosso, Gustavo Garcia, informou que  as atividades irão perdurar. "Ainda irão buscar pessoas que atuem fortalecendo essas facções". Ele destacou ainda que a operação Red Money é, sem dúvidas, uma das maiores já desenvolvidas. A operação envolveu 520 policiais em 11 cidades de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do Pará. 

Sistema de Arrecadação

O sistema de arrecadação financeira da facção investigada na operação “Red Money” assume formato de pirâmide. No topo está o núcleo de liderança e na base dezenas de contas bancárias, com movimentação menor, que fazem a captação de dinheiro, e, gradativamente, fazem o repasse às contas maiores.

No período de um ano e meio (01/06/2016 a 18/01/2018), entre entradas e saídas de 44 contas investigadas na operação, foram identificados movimentação de aproximadamente R$ 52 milhões.


O delegado Luiz Henrique de Oliveira, Coordenador de Inteligência da Polícia Civil, disse que a deflagração da operação corresponde ao fechamento de uma etapa importante da investigação e agora iniciará um trabalho mais técnico, de análise dos documentos apreendidos, interrogatórios, oitiva de testemunhas, identificação de outros suspeitos

Conforme ele, além das prisões, o objetivo principal é a apreensão do patrimônio e descapitalização da organização criminosa. “A operação Red Money indica que a Polícia Judiciária Civil avançou um degrau na forma de se combater as facções criminosas no Estado, precisamos focar no aspecto financeiro e patrimonial para enfraquecer essas organizações criminosas”, frisou.

O delegado da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Diogo Santana, chamou atenção para o fato de que várias pessoas forneceram conta bancária para que fosse movimentado dinheiro ilícito, e, agora, terão que informar a mando e interesse de quem fizeram isso. “Qualquer pessoa que empresta sua conta bancária para movimentar valores ilícitos pode incidir no crime de lavagem de dinheiro”, afirmou

17 comentários

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  • Imposto pago retorno zero
    20 Ago 2018 às 13:10

    INFELIZMENTE O TRÁFICO FINANCIA OS POLÍTICOS NESSE PAÍS ENTÃO ESTÁ AÍ O RESULTADO A IMPUNIDADE CORRE SOLTA

  • Renato
    20 Ago 2018 às 12:23

    PARABÉNS aos guerreiros, que provam seu valor COLOCANDO BANDIDO NA CADEIA apesar de não contar com o apoio das demais instituições, aliás, apesar de verem seu trabalho legítimo ser parcialmente desfeito por quem NÃO TEM COMPROMISSO com o cultivo de VALORES em uma sociedade.

  • Sotelmo
    20 Ago 2018 às 09:58

    Tudo evolui e as leis penais não, precisa-se também acabar com a Lei de Execuções Penais, acabou com o limite de prisão de 30 anos, daqui uns dias bandidos de alta periculosidade por conta dessas leis fracas estarão no convívio da sociedade, precisa-se reformular as leis, o judiciário só pode aplicar as leis, quem as reformulam são os Deputados Federais e Senadores, nem é o Presidente da República, sendo que este só veta ou sanciona, portanto Bolsonaro mente quando diz que irái mudar as leis penais, na condição de Deputado Federal até poderia tentar mudar, mas precisa de votos dos outros deputados federais e do Senado.

  • Nícolas
    20 Ago 2018 às 09:51

    Muito bem doutor! com essas fracas já estamos voltando a primitividade, se tivéssemos prisão perpétua (proibida pela constituição) para os crimes de homicídios, e outros crimes graves, seria bom pra toda sociedade, inclusive para a polícia, mas preferem ser imediatistas, inclusive um militar que é candidato a Presidente sabiamente ilude o povo com o porte de armas, ai sim teremos uma verdadeira matança, invés de exigirmos leis mais rigorosas para todos de um simples brasileiro ao mais elevado brasileiro. Outro fato é que as maiores lideranças do crime organizado estão no presídio, sendo que o Estado não é competente para implantar bloqueadores de chamadas.

  • Maria de Lurdes
    19 Ago 2018 às 22:32

    O coordenador disse que foi meses de investigação e o judiciário soltou, e pra acabar mesmo, como vive o trabalho dessas polícias.... esse judiciário tá de brincadeira com a polícia pow.

  • Ganso
    19 Ago 2018 às 22:29

    Que isso, muitas críticas por cima do judiciário kkkk

  • O Curioso
    19 Ago 2018 às 20:20

    Estuda mais um pouco e passa pra juiz. Assim não poderá reclamar mais.

  • Marivaldo
    19 Ago 2018 às 15:52

    Infelizmente o poder judiciário Brasileiro (STF ,,, stj ) ) só preocupado em agradar a bandidage e que se dane o resto da sociedade brasileira, esta cada dia mais sufocando os juízes de primeira instância, a justiça do Brasil seria muito mais eficiente sem este stf, onde mais de 90% da sociedade reprova seus julgamento sempre pro réu.

  • Gumercindo do Dom Aquino
    19 Ago 2018 às 15:14

    A polícia civil e o ministério público realmente estão enxugando gelo. A maioridade penal talvez seja o principal problema. Adolescentes são treinados e praticam todo tipo de crime porém são menores perante o nosso obsoleto código penal e são soltos na primeira audiência. O nosso judiciário se obriga a soltar em cumprimento a uma legislação arcaica e totalmente injusta. Nos Estados e Europa e países do Oriente eles são tratados como criminosos comuns e recebem a punição como se fossem maiores de idade. Se não mudarmos isso estaremos literalmente enxugando gelo mesmo. Misericórdia...

  • Adolfo Hitler
    19 Ago 2018 às 12:10

    SENHOR delegado de Polícia. Vc está errado em outro estado como Goiás eles não enxugam gelo não vcs tem que apoiar as polícias veja o exemplo. Vai no YouTube digite pesquisa lá. CHARLIE MIKE NOVO CANGAÇO e todos vcs comente o vídeo. Faz esse favor ai

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