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Bolsonaro e Mauro Mendes querem retomar traçado de rodovia que corta reserva indígena

Da Redação - Érika Oliveira

15 Ago 2019 - 07:59

Foto: Arquivo - Olhar Direto/ José Medeiros

Foto tirada em Marãiwatsédé durante o processo de desintrusão da terra indígena

Foto tirada em Marãiwatsédé durante o processo de desintrusão da terra indígena

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), quer retomar o traçado original da BR-158, no trecho que atravessa Mato Grosso e corta a reserva indígena Marãiwatsédé, do povo Xavante. A possível mudança, de acordo com o senador Wellington Fagundes (PR), tem a anuência do governador Mauro Mendes (DEM) e vai contra acordo firmado entre a Funai, o Ibama e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), durante governos anteriores.

Em reuniões com Mauro Mendes, em Brasília, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, já teria informado que o denominado “Contorno Leste”, que desviaria o trajeto das terras indígenas, será descartado pelo atual Governo.

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“Tivemos uma exigência por parte da Funai, com apoio do Ministério Público, e a decisão da Justiça de que a rodovia teria que ser desviada da reserva indígena. Isso foi feito, já temos a licença ambiental e já foi licitado. O primeiro lote está pronto para começar a obra. Acontece que mudou o Governo e muitos lá defendem que a rodovia deve continuar pelo traçado original. O governador e o presidente da República dizem isso. Agora, eu creio que quanto mais indecisão, mais o tempo passa e é pior. Se fizéssemos pelo contorno já teríamos inclusive o desenvolvimento regional, porque atinge vários municípios, são seis municípios beneficiados”, considerou Fagundes.

A BR-158 tem início no estado do Pará e vai até o Rio Grande do Sul, próxima à fronteira do Brasil com o Uruguai. Em Mato Grosso, a rodovia corta a região nordeste do estado, passando pelas cidades de Vila Rica, Confresa, Porto Alegre do Norte, Ribeirão Cascalheira, Água Boa, Nova Xavantina e Barra do Garças.

A área, que já foi alvo de disputa no passado, tem uma extensão de mais de 165 mil hectares e hoje está registrada em nome da União. Em 2013 o Governo Federal deu posse plena da terra aos Xavantes de Marãiwatsédé.

As obras naquela região estão paradas há quase 10 anos. O chamado “Contorno Leste”, traçado a partir de um acordo entre a Funai, o Ibama e o Dnit, aumenta o trecho em 90km e recebe críticas de produtores e empresários, que alegam aumento no custo do frete, uma vez que a região em questão é rota de escoamento da produção do Estado.

Durante visita a Mato Grosso, em junho, Tarcísio Gomes anunciou que o Governo Federal pretende iniciar obras de pavimentação na BR-158 ainda este ano, de acordo com o projeto original que corta a reserva Marãiwatsédé, mas até o momento nada foi licitado.   

6 comentários

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  • Alan Soares Nascimento
    16 Ago 2019 às 08:00

    Que reserva??? Sugiro aos engravatados, que venham conhecer o trecho. Área totalmente aberta, pois foi ocupada por mais de 20 anos, abrigando uma população de aproximadamente 7 mil pessoas, que foram expulsas de suas casas. Preservação?? E o projeto de arrendamento de pastos para até 10 mil cabeças de gado? Boa parte dessa reserva já se encontra cercada e arrendada para criação de gado! Impacto ambiental? Todos os anos o fogo destrói a vegetação existente no local e as áreas com pastagens que foram abandonadas. Além disso, sugiro que deem uma passada pelo suposto trecho ondem propõem fazer o "desvio", 50% morro, 50% áreas baixas de varjão (áreas baixas, sujeitas a inundação, extremamente arenosas, características da bacia do Araguaia). Falo sem dúvidas, o impacto ambiental será bem maior, caso tentem fazer este desvio. Somando a isso, relembro que o traçado atual está sendo utilizado a mais de 30 anos, com a base praticamente pronta, ou seja, menor custo para conclusão. O argumento de que o "desvio" vai beneficiar um número maior de pessoas, na minha opinião, é uma jogada politica, eleitoreira, só tocam no assunto nos anos pré-eleição, depois somem. Pensem bem, 30 anos com um traçado sendo utilizado, base praticamente pronta, não conseguiram concluir o asfaltamento. Será que em

  • Ana
    15 Ago 2019 às 13:48

    FERROVIAS FERROVIAS FERROVIAS FERROVIAS...

  • pantaneiro
    15 Ago 2019 às 10:28

    Fácil, fácil de se resolver o impasse: declare a estrada de interesse nacional (segurança nacional)! Nada de padre MP, afrescalhados do meio ambiente, ONGs, etc, etc!!!

  • RAFAEL CESAR
    15 Ago 2019 às 09:11

    Graças a Deus, esse desvio da terra indígena era uma aberração sem limites, Um estrada que passe dentro de uma fazenda nao pode ser fechada justamente para prover o livre deslocamento das pessoas, agora na terra indigena nao pode passar, será que essa terra indígena é um país dentro do Brasil? e sem falar que o tal desvio iria aumentar em 80 km o acesso aos ja longiquoas cidades do baixo Araguaia, E ate para os proprios indios a estra sera boa pq ao contrario do que muitos pensam esses indios vão regularmente as cidades e melhorar o acesso a elas também melhora o acesso para os indios, Temos que tratar os indios como seres humanos e cidadãos normais sem resalvas..

  • Marlon
    15 Ago 2019 às 08:46

    Na minha opinião tem que desviar mesmo da reserva indígena. Do contrário, ficaremos refém dos índios. Com certeza vão querer cobrar pedágio, a exemplo do que acontece na região de Sapezal e Campo Novo Parecis. Quanto mais longe dos indígenas, melhor.

  • jose a silva
    15 Ago 2019 às 08:25

    Se for por causa de indios põe esse povo pra correr mato a dentro! Mas eu acho que aí tem "interesses" e interesses! Desviando o trajeto, quem seria beneficiado? Tá parecendo o velho oeste americano!

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