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Sob articulação de Dilmar, imprensa é retirada de CPI e delator da Lava Jato depõe em sessão secreta

Da Reportagem Local - Carlos Gustavo Dorileo/Da Redação - Lucas Bólico

19 Set 2019 - 15:15

Foto: Ronaldo Mazza/AL

Sob articulação de Dilmar, imprensa é retirada de CPI e delator da Lava Jato depõe em sessão secreta
Uma manobra articulada pelo deputado Dilmar Dal’Bosco (DEM) transformou em secreta a sessão em que depõe o doleiro Lúcio Bolonha Funaro à CPI da Sonegação, marcada para a tarde desta quinta-feira (19). Dilmar é suplente da comissão e está substituindo Carlos Avalone (PSDB). Com a decisão, apoiada por Janaína Riva (MDB) e Nininho (PSD), a imprensa, que acompanhava os trabalhos, teve de ser retirada da sala e a transmissão ao vivo pela TV Assembleia foi interrompida. A oitiva foi transferida para o Colégio de Líderes.

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O deputado estadual Wilson Santos (PSDB), criador e presidente da CPI, foi contrário à mudança. Ele argumentou que transformar em secreta a coleta de depoimento abre um precedente perigoso para a Casa de Leis. Wilson citou seu histórico como parlamentar e todas as comissões que participou para evitar que a tese de Dilmar fosse acatada. “Esta casa tem tradição da transparência”, alegou.
 
Na tentativa de convencer os colegas a não transformar em secreta a sessão, Wilson concedeu a palavra ao próprio depoente, que é delator da Lava Jato e já prestou esclarecimento em CPIs no Congresso Nacional. “Nunca teve sigilo. Não me sinto constrangido em relatar qualquer fato dos quais eu presencie e tive contato porque é a verdade e a verdade tem que prevalecer nesta casa”, argumentou o doleiro.
 
O deputado estadual Ulysses Moraes (DC) não é membro da CPI, mas acompanhava a sessão e pediu a palavra para se manifestar contra o cerceamento do acesso à informação pela população. Ele chegou a propor que, caso acatada a solicitação de Dilmar, os deputados fizessem novamente as perguntas ao doleiro, quando encerrada a sessão, e transmitissem tudo pelas redes sociais.
 
Fazer a oitiva com Funaro a portas fechadas era uma das propostas de Dilmar. A outra era que o depoimento sequer acontecesse hoje, mas levando-se em consideração que o doleiro não mora no estado e veio a Mato Grosso somente para falar aos deputados, a hipótese acabou descartada.
 
A deliberação sobre a proposta de Dilmar desagradou Wilson Santos e criou um mal estar entre os dois deputados. Dilmar chegou a acusar Wilson de colocar palavras em sua boca por estar “emocionado”. Tudo porque Wilson disse nos microfones que a proposta de Dilmar era para que a imprensa e a sociedade fosse retirada do local onde acontecia a CPI, o que aconteceu, de fato, quando o requerimento foi acatado com os votos de Janaína e Nininho.
 
Lúcio Funaro
 
Em depoimento no dia 28 de agosto à CPI do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na Câmara dos Deputados, Funaro declarou que o empresário Joesley Batista, do grupo empresarial J&F, omitiu declarações em sua colaboração premiada firmada perante o Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas a fraude de pagamentos de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias em Serviços).

A fraude de ICMS em Mato Grosso estaria vinculada ao pagamento de propina a agentes políticos para favorecimento indevido e um empresário de Várzea Grande- o [possível] responsável pelas articulações que viriam a favorecer o grupo J&F.

De acordo com o presidente da CPI, deputado estadual Wilson Santos (PSDB), o foco principal das investigações é desvendar a existência de fraudes que possam subsidiar os órgãos de investigação e, ao mesmo tempo, contribuir para uma legislação mais segura e eficiente que permita ao estado, futuramente, reprimir a sonegação de impostos para auferir uma significativa margem de arrecadação.
 
“O que interessa a Mato Grosso é que crimes fiscais sejam duramente combatidos para evitar essa discrepância de que o cidadão que ganha pouco muito contribui e aquele que muito ganha se utiliza de artimanhas para prejudicar o estado”, disse.
 
A CPI ainda é composta pelos deputados Carlos Avallone (PSDB), Max Russi (PSB), Janaina Riva (MDB) e Ondanir Bortolini (PSD)- Nininho.

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