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Sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

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Equipe multidisciplinar já atendeu mais de 700 adolescentes e crianças em um ano

Da Assessoria

22 Mar 2009 - 08:51

Com a proposta de auxiliar nas investigações por meio de um atendimento humanizado a equipe multidisciplinar das Delegacias Especializadas do Adolescente (DEA) e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (DEDDICA), composta por especialistas nas áreas de psicologia, assistência social e pedagogia, assumiu um importante papel na prestação do serviço policial. O acompanhamento da família, da criança vítima de violência e do adolescente em conflito com a lei é visto como um diferencial dentro da investigação.

Os profissionais foram cedidos pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e estão inseridos no programa “Segurança, Disciplina e Qualidade Social nas Escolas”, do Governo do Estado de Mato Grosso, desenvolvido por meio de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e a Seduc e a Polícia Judiciária Civil.

A equipe multidisciplinar foi criada no ano passado, para atender os menores infratores que passam pela DEA e as crianças vítimas de violência assistidas pela Deddica.

No ano de 2008, a equipe multidisciplinar da DEA atendeu 455 menores infratores e nos meses de janeiro e fevereiro deste ano já passaram pela equipe 103 adolescentes. Ao todo, são 558 menores que tiveram atendimento psicológico, atividades pedagógicas e encaminhamento à instituição especializada.

O menor infrator que pratica algum ato infracional é encaminhado à DEA, após ser ouvido pelo delegado, o adolescente passa pela equipe multidisciplinar, onde é atendido juntamente com a família. A psicóloga Helen Capistrano, que compõe a equipe, ressalta que a conversa com o adolescente é importante para saber se ele está estudando, se faz curso fora da escola e se existe o envolvimento com droga.

“O adolescente é conduzido aos nossos parceiros, que são o Tribunal Regional do Trabalho, com a inclusão digital, o projeto Rede Cidadã, que oferece cursos, ao Centro de Apoio Psicossocial (CAPS) Adolescer, em caso de envolvimento com drogas, ao Centro de Referência e Assistência Social (CREAS), programa de Assistência Social e ao Grupo de Apoio denominado Amor Exigente”, destacou Helen Capistrano.

A pedagoga da equipe multidisciplinar, Eloina Rodigheri, complementa dizendo que as atividades pedagógicas pelas quais passam o menor infrator, são trabalhos com textos humanísticos, dinâmicas para resgatar a cidadania e a moral e também, a valorização da família.

Além do trabalho que é desenvolvido com os adolescentes, a equipe multidisciplinar promove atividades com os funcionários da DEA. “Sempre realizamos eventos que buscam a integração da equipe. Fazemos também escuta terapêutica com os servidores que relatam seus problemas, como forma de desabafar. É a chamada saúde mental”, conclui a psicóloga.

Para o delegado titular da Delegacia do Adolescente, Adalberto Antonio de Oliveira, o crescente número de adolescentes que se envolve em crimes é devido a uma série de fatores, entre eles o desajuste familiar e a falta de estrutura. “O trabalho da equipe multidisciplinar vem mostrando bons resultados, como a ressocialização e a volta do menor infrator ao convívio familiar”, salientou o delegado.

DEDDICA – A Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente (Deddica) também possui uma equipe multidisciplinar para cuidar dos menores que são vítimas de violência. A equipe é formada por dois psicólogos e uma educadora.

Ao registrar um Boletim de Ocorrência ( BO), a criança será ouvida pela delegada de polícia e logo após, encaminhada à equipe multidisciplinar. De acordo com a educadora do grupo, Cleise Ellen Franco, é realizada a entrevista com a criança, a família, os vizinhos, na escola e na comunidade para colher o maior número de informações a respeito da vida desse menor e assim poder elaborar um parecer psicossocial enviado à delegada.

“Quando a criança é atendida pela equipe ela recebe todo um cuidado especial desenvolvido por nós. Usamos dinâmicas adequadas às crianças para que contem o que aconteceu com elas sem que fiquem mais traumatizadas”, explica a educadora.

No período de março a outubro do ano passado a equipe multidisciplinar da Deddica realizou 469 atendimentos gerais, além de 263 atendimentos a pais e mães, 146 atendimentos a adolescentes e 128 visitas domiciliares e escolares.

Dos casos atendidos pela equipe, 60% são para crime de atentado violento ao pudor, 25% para maus-tratos, 10% estupro (crianças até 13 anos de idade) e 5% agressão física.

A delegada titular da Deddica, Mara Rubia de Castro Ferreira Carvalho, destaca a importância da equipe multidisciplinar para prevenir a revitimização da criança e do adolescente que sofreu violência. “Em alguns casos, as técnicas utilizadas pela equipe, têm nos ajudado a descobrir o que realmente aconteceu com a vítima”, esclarece a delegada.

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