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Domingo, 28 de fevereiro de 2021

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AL monta programa para debater com municípios de Mato Grosso nova forma de ensino

Da Reportagem Local - Ronaldo Pacheco

05 Nov 2015 - 07:55

Foto: Maurício Barbant / ALMT

Professor Sérgio Cintra, coordenador do projeto, afirma que professor do futuro será mero indutor do conhecimento

Professor Sérgio Cintra, coordenador do projeto, afirma que professor do futuro será mero indutor do conhecimento

 
Os avanços tecnológicos das últimas décadas chegaram com maior rapidez às diferentes camadas da sociedade do que à sala de aula, em especial no ensino público de Mato Grosso e do Brasil. Os professores, em sua esmagadora maioria, mantêm o velho estilo de repassador do conhecimento, enquanto os estudantes de hoje estão cada vez mais ávidos por novidades e, não raras vezes, aplicam “saias justas” nos mestres.
 
É a partir dessa constatação que o Núcleo Social da Assembléia Legislativa de Mato Grosso lançou o Programa “A Modernidade Líquida e a Educação”, coordenado pelo professor Sérgio Cintra – profissional com mais de três décadas de sala de aula, ministrando diferentes disciplinas. A ideia é envolver os municípios, no debate.
 
“A parceria da Assembléia Legislativa com as prefeituras é para provocar reflexão e fomentar o debate, não existe pretensão de trazer qualquer verdade absoluta. A educação prussiana, onde a escola é um aparelho ideológico do Estado, praticamente ruiu”, argumentou ele, em entrevista à reportagem do Olhar Direto.
 
“Porque o professor de hoje vive estressado? A tecnologia mudou a posição do professor, que foi formado pela sociedade sólida e relações duradouras, detentor do conhecimento. No mundo líquido, tudo é amorfo, é instantâneo”, pontuou Cintra, que ajudou fundar vários cursinhos pré-vestibular (hoje pré-Enem), em Mato Grosso, inclusive o Cuiabá Vest, extinto em 2014.
 
 
Para elaborar o programa, Sérgio Cintra estudou vários pensadores contemporâneos, como Nick Couldry, Edgar Morin e Zygmunt Bauman, entre outros. “No chamado mundo liquido tudo é instantâneo, porque o que importa é o agora e o conhecimento não para sempre”, citou o educador.
 
Partindo dessa premissa, Cintra considera o essencial que o professor do século 21 aprenda logo: ser, conhecer, fazer e viver juntos. “O aluno consegue fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo, como ouvir som, estudar e responder ao whatsapp. É por isso que Nick Couldry diz que a impossibilidade [do cidadão comum] em ser ouvido trouxe a ditadura do capital. E dita costumes, hábitos, alterando o jeito de vestir. Só existe democracia quando todas as vozes podem se manifestar”, ensina o coordenador do Núcleo Social da Assembléia.
 
Desta forma, o pensamento dominante para o trabalho a ser desenvolvido com os municípios tem como alicerce ensinamentos do nonagenário Zygmunt Bauman. “É quem melhor faz a transição do estágio sólido para a  modernidade líquida: tudo que é sagrado deve ser profanado; nada permanece estático”, dispara Sérgio Cintra.
 
“Na nova educação, o professor não é detentor do conhecimento e, sim, viabilizador do conhecimento. Indutor do estímulo à reflexão da inteligência. A sociedade descartável exige isso. O professor vai mostrar ao aluno que, entre as milhares de informações existentes [ao alcance de um clic], qual a melhor referência científica e a mais confiável”, sintetizou o educador.
 
“A tecnologia acabou com a relação de pólo ativo e pólo passivo, em sala de aula. O professor terá de ser eficaz para demonstrar noções de cidadania e capaz de resolver problemas de relacionamento e em conviver com o diferente. Assim a modernidade estará sempre presente em todo o processo educacional. Com proveito substancial para todos”, completou o coordenador do Núcleo Social do Poder Legislativo.   
 
As prefeituras que tiverem interesse em receber o Programa “A Modernidade Líquida e a Educação” devem entrar em contato com Núcleo Social da Assembleia (065) 3313-6915. E vão aprender que todos os dias são jogados fora toneladas de conhecimento para dar lugar a novas informações, por causa do conhecimento volátil.
  

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