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Sexta-feira, 26 de maio de 2017

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Assembleia Legislativa aprova extinção do Parque ambiental onde há fazenda de ministro

Da Redação - Jardel P. Arruda

19 Abr 2017 - 21:43

Foto: Reprodução

Cachoeira dos Macacos - Serra Ricardo Franco

Cachoeira dos Macacos - Serra Ricardo Franco

A Assembleia Legislativa aprovou em primeira votação o decreto legislativo 02/2017 que extingue o Parque Estadual Serra Ricardo Franco, na sessão noturna desta quarta-feira (19). Caso seja aprovada em segunda votação, o parque ambiental será abolido sem a necessidade da sanção do governador Pedro Taques (PSDB).

O Parque Serra Ricardo Franco possui 158.620 hectares, localizados na Região Oeste Mato Grosso, fronteira com a Bolívia, no município de Vila Bela da Santíssima Trindade. Ele abriga fauna Amazônica, do Cerrado e abrigas espécies endêmicas. É tido pelo Governo de Mato Grosso como de grande potencial turístico.

Leia mais:
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No entanto, Apesar de ter sido criado há 20 anos, parte dele continuou sendo ocupada por fazendeiros e entre os proprietários de terras na área está o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB). Desde 2015, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) faz um levantamento de que propriedades estavam ali antes de criação do parque quais apareceram depois.

O objetivo era desapropriar grileiros e dar duas alternativas a quem está lá anteriormente: vender a propriedade para o Estado, que irá indenizá-las, ou para outros proprietários rurais de Mato Grosso que necessitem de áreas de reserva legal para compensar a área degradada. Com isso, a situação do parque seria regularizada.

No entanto, maioria dos deputados seguiu em outra direção oposta nesta quarta. A proposta de decreto legislativo 02/207 visa sustar o decreto do Executivo 1.796 de 1997, baixado pelo então governador Dante de Oliveira, então do PSDB, falecido, que criou a unidade de conservação.

Assinado por “lideranças partidárias”, o projeto já passou pela Comissão de Meio Ambiente, onde foi aprovado, pela primeira votação em plenário, e agora segue para Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR). Se lá for aprovado, voltará ao plenário para uma segunda votação e, caso aprovado, o Parque Serra Ricardo Franco estará extinto.

Entre os principais defensores do decreto está o deputado estadual Adriano Silva (PSB). De acordo com ele, é preciso sustar a criação do parque para levar a discussão para dentro da Assembleia Legislativa, tirando-a da do Judiciário, aonde já existem ações  contra grileiros e a existência do parque é questionada.

Adriano se diz defensor da existência de um parque, mas que ele seja criado por um projeto de lei e permita a exploração comercial da área, a fim de não retirar os grileiros e produtores da região. “Não sou contra o parque. Sou a favor do parque. (...) Mas quero que tenha um plano de manejo. Que possa ser explorado de forma sustentável. Hoje é um parque de faz de conta com uma pessoa cuidando da área. Queremos criar um parque estruturado e que permita a permanência dos produtores”, ponderou Adriano.

Junto com Wilson Santos (PSDB), Wancley Carvalho (PV) e Leonardo Albuquerque (PSD), Adriano requereu uma audiência pública para discutir o assunto no dia 8 de maio, no município de Vila Bela da Santíssima Trindade. Ele ainda afirmou que quer a presença de especialistas e opositores da ideia de mudar o perfil do parque.

Contraponto

Único a se colocar contrário a ideia de flexibilização ou extinção do Parque Serra Ricardo Franco, o deputado estadual Allan Kardec (PT) afirmou que tomará providências para evitar que a Assembleia suste a criação da unidade de conservação. Em que pese o petista não ter se manifestado durante a votação da matéria, ele garantiu ser o contraponto e contraditório neste debate.

“Vamos pedir vista, chamar a sociedade, mobilizar o Ministério Público.  É inaceitável que a Assembleia acabar com o parque. Se o Parque Ricardo Franco existe há 20 anos, quem está lá devia ter saído em 1997, na época da criação do parque, Que sejam indenizados, mas eles tem que sair. Não há o que se falar em flexibilização”, afirmou Allana Kardec.

38 comentários

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  • Carlos Moleiro
    08 Mai 2017 às 21:39

    Sou Engenheiro Florestal Especialista em Pericia Gestao e Auditoria Ambiental, fiz um levantamento por imagem de satélite e ficou comprovado que os agricultores e pecuaristas estao na área antes da criação do parque, são mais de 150 famílias isso só contando os pequenos agricultores e pecuaristas, por isso temos que garantir o direito das comunidades tradicionais e também garantir a tutela ambiental, preservando os lugares de grande beleza cênica. isso é possível, não há razão lógica para disputas de interesse.

  • Valderez Monte
    27 Abr 2017 às 12:34

    Conheço parte da região em fiscalização sobre trabalho escravo. Sou aposentada há 12 anos e as fazendas já eram cinematográficas, um crime. E os donatários todos de outros estados. Isto é um crime. Infelizmente, o Brasil está doente, doença moral de natureza institucional.

  • Valderez Monte
    27 Abr 2017 às 12:34

    Conheço parte da região em fiscalização sobre trabalho escravo. Sou aposentada há 12 anos e as fazendas já eram cinematográficas, um crime. E os donatários todos de outros estados. Isto é um crime. Infelizmente, o Brasil está doente, doença moral de natureza institucional.

  • Valderez Monte
    27 Abr 2017 às 12:34

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  • Adriana Reis
    24 Abr 2017 às 13:21

    Sou a favor da preservação do parque. Não mexam nele. Fora os invasores.

  • ROSELI
    23 Abr 2017 às 16:26

    Fátima, concordo com vc. Porém, quem é o MPE em MAto Grosso? Adivinha o que vai acontecer...

  • Oliveira
    22 Abr 2017 às 12:33

    Essas fotos de cachoeiras que os noticiários colocam nas matérias sobre o suposto parque, não mostram a realidade pois esse parque que querem enfiar goela abaixo, as imagens são diferentes, são todas áreas produtivas, com um dos maiores e melhores rebanhos e culturas do estado de MT.

  • Oliveira
    22 Abr 2017 às 12:28

    Tenho propriedade rural nas proximidades do parque há 30 anos ou seja 10 anos antes da criação do parque nossa área ja era produtiva, dai vem o governo e cria um parque em cima das áreas produtivas de vários produtores rurais, sem indenizar, sem conhecimento da real situação da área pois a maioria das documentações das terras são antes da criação do parque, vem querendo "tomar" essas terras. É no mínimo muito desonesto.

  • hb cwb
    22 Abr 2017 às 01:40

    O golpe também foi para isso: Apesar de muitos não perceberem, entre os objetivos secundários do golpe, eliminar barreiras legais e morais que impediam a exploração criminosa e destruidora das áreas de preservação ambiental, social e estratégicas nacionais. Todas estas áreas já demarcadas ou aguardando demarcações, agora são espólios para os golpistas lesa pátrias, funcionam como pagamento pelo apoio ao golpe das elites, grupos e empresas poderosas nacionais e estrangeiras.

  • Antônio Carlos Ferreira da Silva
    21 Abr 2017 às 18:46

    É o fim da picada! Além de promoverem a corrupção por todo o país ainda querem acabar com o meio ambiente!

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