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Sexta-feira, 29 de maio de 2020

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Grupos reduzem reincidência em casos de agressão contra mulheres

ABr

08 Mar 2009 - 21:40

8 de Março de 2009 - 17h59 - Última modificação em 8 de Março de 2009 - 17h59
Quando decidiu trabalhar com homens agressores de mulheres, em 1993, o secretário adjunto de Valorização e Prevenção da Violência em Nova Iguaçu (RJ), Fernando Acosta, esperava encontrar pessoas “muito perversas”. Hoje, Acosta, que é psicólogo, acredita na capacidade de mudança do ser humano. “A partir desse trabalho, percebo o quanto somos maleáveis. A gente pode esculpir outros tipos de seres humanos”, afirmou.

O secretário baseia sua opinião no trabalho feito com agressores, que passam por um processo de reabilitação oferecido pelo Serviço de Educação e Responsabilização (SER) do município. Segundo ele, 95% não voltam a cometer atos de violência contra mulheres.

O trabalho está previsto na Lei Maria da Penha, mas o psicólogo já atua nessa linha de reeducação há mais de 15 anos. De acordo com ele, o que leva os homens a agredirem suas companheiras é uma construção cultural equivocada de masculinidade. “Acho que o grande motivo é essa cultura machista, patriarcal e homofóbica [preconceituosa em relação a homossexuais]”, disse.

No ano passado, o Disque Denúncia da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres recebeu 24,5 mil denúncias de violência. Em 63% dos casos, o agressor era o cônjugue. Os tipos de violência mais comuns foram a lesão corporal leve (52,5%) e a ameaça (26,5%).

Os homens que praticam esse tipo de violência são encaminhados ao SER pelos juizados especiais de Violência Doméstica contra a Mulher ou por outros serviços da rede de proteção feminina.

Com base em entrevistas e terapias de grupo durante vários meses, o método do psicólogo leva o agressor a repensar seus atos. “Nós tocamos emocionalmente esses homens para que eles possam perceber quais são os sentimentos que têm quando praticam a agressão”, explicou. Ele disse que até a metade dos casais permanecem juntos após a reeducação e com relatos de melhora na relação.

O SER não é o único grupo para agressores com bons resultados. De acordo com dados do Juizado Especial Criminal da Violência Doméstica contra a Mulher de São Gonçalo (RJ), menos de 2% dos homens que praticam violência contra a mulher e participam de grupos de reflexão voltam a agredir suas companheiras. Nos 22 grupos já formados na cidade, passaram 236 homens e 60 aguardam novas turmas, segundo dados da Central de Penas do município.


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