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Em meio a polêmica, Gana espera R$ 6 mi de governo e nega WO

Terra

25 Jun 2014 - 21:15

A polêmica que envolve a seleção de Gana sobre os pagamentos não recebidos pelos jogadores pela participação na Copa do Mundo não vai resultar em um WO diante de Portugal, nesta quinta-feira, em Brasília, no fechamento do Grupo G. O técnico James Kwesi Appiah e o meia Christian Atsu falaram sobre o episódio e admitiram problemas com a federação ganesa – que fizeram até o time deixar de treinar na última terça –, mas mostraram tranquilidade com a intervenção do governo do país para pagar os atletas ainda nesta quarta.

O presidente de Gana, John Dramani Mahama, financiou o pagamento das taxas de participação aos jogadores e enviou ao Brasil um avião contendo o dinheiro – os atletas se recusaram a receber por transferência bancária. Segundo o vice-ministro do Esporte, Joseph Yaminn, declarou à rádio ganesa Citi FM, o montante transportado ultrapassa US$ 3 milhões (mais de R$ 6,6 milhões). O impasse aconteceu porque a Fifa distribui esse dinheiro às federações somente depois da Copa, mas as nações africanas têm por hábito pagar os atletas antes. Como o pagamento atrasou, o governo interveio, e será ressarcido pela Fifa após a competição.

"Temos esses problemas, mas agora tivemos uma reunião, nosso capitão (Asamoah Gyan) falou conosco, e agora estamos focados no jogo", disse Atsu. "A partida é muito importante para todos os ganeses, não só para os jogadores. Se perdermos o jogo, as pessoas vão pensar que foi por causa do dinheiro. Não temos opção a não ser fazer nosso povo orgulhoso amanhã".

O técnico Appiah mostrou incômodo com a situação, afirmando que o problema sobre a taxa de participação já deveria ter sido resolvido "há muito tempo". O comandante admitiu que é complicado motivar seus jogadores quando assuntos extracampo atrapalham, mas disse que tem feito o máximo para que os atletas se mantenham focados na partida contra Portugal, onde só a vitória interessa para chegar às oitavas de final.

"Todo jogador sabe seus direitos, mas para a partida os jogadores estão focados. Não importa se o dinheiro chegará ou não. Não é sobre ser pago, recompensado sobre nada. Não é um bônus. Sempre é difícil quando seus jogadores estão desapontados. Estamos trabalhando com isso desde ontem, e nesta manhã eu disse que devemos esquecer isso e fazer o melhor de nós. Agora não é mais sobre dinheiro ou qualquer outro problema", discursou o treinador.

Perguntados se a polêmica pelo pagamento antecipado não os colocaria como "mercenários" aos olhos de um país com tantos problemas sociais como Gana, técnico e jogador minimizaram a situação. "Não tem nada a ver com ser um profissional, jogar na Europa. É um direito. Para qualquer time na Copa do Mundo, a Fifa paga um dinheiro para o país. E esse dinheiro será dado a todos, não é só Gana. A prática em Gana sempre foi pagar aos jogadores antes, em dinheiro", disse Appiah.

"Estamos no maior torneio do mundo, e mesmo se não pegarmos o dinheiro, vamos esquecer tudo isso, porque o mundo inteiro está olhando para nós", afirmou Atsu. "Amanhã é um jogo muito importante, e Gana dirá que foi por causa do dinheiro se perdermos. Não há nada a respeito de não jogar se não tivermos o dinheiro".

Appiah recusou falar sobre o valor exato dos pagamentos – "os jogadores iam me matar", brincou –, mas, de acordo com o jornal português O Jogo, o montante seria de cerca de 73 mil euros (R$ 223 mil) para cada um. Gana e Portugal se enfrentam a partir das 13h desta quinta-feira, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília.
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