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Terça-feira, 21 de maio de 2019

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Lado emocional preocupa e pode pesar até na escalação da Seleção

Globo Esporte

01 Jul 2014 - 08:25

A condição emocional da seleção brasileira na Copa do Mundo preocupa a comissão técnica. No discurso, jogadores e o restante da delegação dizem que manifestações como as lágrimas no Hino Nacional são normais, principalmente pelo fato de a competição ser disputada no país. Mas, entre eles, estudam soluções para minimizar a pressão até o fim do Mundial.

A reação dos jogadores a situações extremas pode até mesmo interferir na formação do time para as próximas partidas. Contra a Colômbia, sexta-feira, pelas quartas de final, o volante Luiz Gustavo terá de cumprir suspensão por dois cartões amarelos. A atitude de Paulinho antes da disputa de pênaltis contra o Chile o colocou como favorito a ocupar seu lugar.

O volante do Tottenham perdeu a posição para Fernandinho após três atuações irregulares na primeira fase. No último jogo, quando o novo titular sentiu câimbras e precisou sair, entrou Ramires. Mas na roda dos atletas, antes dos pênaltis, o jogador assumiu o comando, foi para o centro e passou mensagens de incentivo a cada cobrador e ao goleiro Julio César.

Já que o Brasil não tem jogado bem - e a comissão técnica também admite isso internamente -, a experiência de Paulinho em momentos decisivos como a Copa das Confederações do ano passado e os títulos que conquistou pelo Corinthians, sobretudo a Libertadores e o Mundial, serão levados em conta.

Outro jogador que ganhou pontos foi o goleiro Victor. Ele alertou Felipão sobre a dificuldade da Seleção no rebote em razão de os setores do time estarem muito distantes no segundo tempo da partida diante do Chile. A compactação foi muito abordada pelo técnico no intervalo para a prorrogação. A participação do terceiro goleiro no incentivo para os pênaltis também foi alvo de elogios.

Paulinho também teve uma conversa com Thiago Silva no gramado. O capitão é uma das maiores preocupações da comissão. Sua postura antes dos pênaltis chamou atenção. Ele ficou sentado sobre uma bola, isolado, com expressão facial absolutamente abatida. Depois da classificação, o zagueiro admitiu que exagerou ao externar sua preocupação, mas ressaltou que isso não prejudicou seu desempenho em campo.

Thiago tem sido um dos melhores jogadores da seleção brasileira na Copa do Mundo. Até foi eleito pela Fifa para a equipe ideal da primeira fase da competição. Para muitos, a exagerada pressão colocada sobre o grupo, até mesmo pela comissão técnica e a cúpula da CBF, que assumiram o favoritismo sempre e disseram frases como “temos que ser campeões de qualquer jeito” ou “já temos uma mão na taça”, contribuiu para esse descontrole. Para se ter uma ideia, até o goleiro Jefferson, tido como extremamente frio, já foi visto com lágrimas nos olhos.

Na noite da última segunda-feira, a comissão técnica se reuniu com os jogadores e abordou o aspecto emocional. Em encontro com jornalistas selecionados por Felipão, horas antes, o técnico, o auxiliar Murtosa e o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira admitiram que há desequilíbrio emocional no elenco. Avaliam que um aspecto negativo de a Copa do Mundo ser disputada no país é que fatores externos chegam aos jogadores: propagandas na televisão, contato com torcedores e pessoas próximas, entre outros. É mais difícil blindar.

A ausência de jogadores mais tarimbados também pesa, mas a comissão técnica não se arrepende de ter excluído da convocação medalhões como Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho. E também valorizam a importância que seus jogadores têm dado à Copa do Mundo. Para eles, essa dificuldade diante da pressão mostra que todos estão muito dispostos a ganhar o título e derruba a tese de que “são meninos ricos que não se importarão em caso de derrota”.
A esperança da comissão técnica é ver um grupo menos abalado na partida de sexta-feira contra a Colômbia, em Fortaleza, pelas quartas de final. Todos consideram que isso é fundamental para manter vivo o sonho do hexa. Vale lembrar que a Seleção conta com as psicólogas Gisele Silva, Regina Brandão e Aline Magnani, que trabalham com o grupo.


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