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Terça-feira, 19 de novembro de 2019

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Índios mato-grossenses visitam o mar pela primeira vez em Santos

Da Redação - Fabiana Mendes

20 Jul 2018 - 10:41

Foto: Paula Paiva Paulo/G1

Índios mato-grossenses visitam o mar pela primeira vez em Santos
Dois indígenas do povo Myky tiveram uma experiência nova na última semana. Acostumados à água doce do Rio Papagaio, na região noroeste de Mato Grosso, eles embarcaram em uma aventura e conheceram a água salgada do mar de Santos, litoral de São Paulo. Iamaxi, de 47 anos, e seu filho Typju, de 21, se encantaram com as ondas, mas se assustaram com a poluição marítima.

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A visita foi feita após a participação dos dois em um seminário na Universidade de São Paulo (USP) que debateu as várias modalidades de fala entre os indígenas. Acadêmicos e a outros indígenas Iamaxi apresentaram um tipo de fala cerimonial que os Myky usam quando se encontram com parentes de outra aldeia. A reportagem com a visita dos índios foi veiculada no Olha que Legal, do portal G1.
 
A cerca de 600 km da aldeia, eles pegaram um avião na capital Cuiabá. O destino foi o aeroporto de São Paulo, de onde partiram para o seminário no bairro do Butantã. Do Butantã, seguiram para a pequena praia do Sangava.
 
Acostumados a lidar com barcos a motor, no sinuoso Rio Papagaio, os Mykys foram surpreendidos pelo convite de atravessar o canal do porto de Santos a bordo de uma canoa havaiana, modalidade que se popularizou no litoral brasileiro nos últimos anos.
 
Em vez de tubarões e baleias, a canoa cruzou o canal na companhia de navios cargueiros, com contêineres vindos de toda parte do mundo, além de motos aquáticas e pranchas de stand up paddle. Algumas tartarugas marinhas e garças chegaram a se aproximar da embarcação.
 
Após a travessia saindo de Santos, o grupo parou em uma pequena praia do Guarujá cercada pela mata, a praia do Sangava. Após hesitar bastante, Typju tomou coragem e mergulhou no mar pela primeira vez. “Achei meio diferente, eu achei muito salgado, assim, meio grudento”, resumiu o jovem.
 
Enquanto isso, o pai, Iamaxi, observava impressionado a força das ondas. Achou o fenômeno interessante e o comparou com o movimento de um coração. “As águas vão e voltam, nunca correm só numa direção [como num rio]. Ele é como o sangue do nosso corpo, que pulsa sem parar. Por isso o mar deve ter um coração também, que nem a gente".
 
O povo Myky acredita que os elementos da natureza - montanhas, pedras e o próprio mar - têm um "dono espiritual". E, assim como os homens, esses “donos espirituais” podem morrer se não forem cuidados. “Tem que cuidar mais, né, senão acaba. E acaba morrendo tudo, as árvores que aí estão, os animais”, disse ele.
 
Por isso, pai e filho se espantaram com a poluição que viram no mar de Santos. O óleo dos navios derramado na água e pedaços de plásticos boiando aumentavam a sensação de estranhamento dos dois. “Lá na minha aldeia quase não tem tanta poluição assim, de meio ambiente, com fumaça, essas coisas”, disse Typju.
 
O convite ao passeio foi feito pelo antropólogo André Lopes, de 35 anos, que há 10 frequenta o povo Myky. Santista, André aproveitou a vinda para o seminário para levá-los à praia e para conhecer sua família. “Sempre que posso trago alguém de lá para conhecer a minha aldeia”, brinca.
 
 Povo Myky

Os Myky tradicionalmente  habitam as áreas de cabeceiras dos rios pertencentes às sub-bacias do Sangue, Membeca, Juruena e Papagaio, formadores do rio Tajapós, em Mato Grosso. Mantiveram-se em rotas de fuga permanente no interior das suas terras de ocupação tradicional, receosos e arredios ao contato durante quase todo o século XX. 

Em um efeito dominó, a disputa por espaços, terras e recursos naturais deflagrou a intensificação dos conflitos interétnicos. Mortandade, fugas e dispersões passam a descrever a realidade do cotidiano vivenciado pelos Myky por quase duas décadas (dos anos 40 aos anos 60).

Relatam sequestros e ataques, além dos óbitos resultantes de febres e doenças até então desconhecidas: sarampo, gripe e varíola. Estima-se que os Myky tenham sido reduzidos a apenas nove pessoas no final da década de 50. 

Hoje os Myky vivem juntos numa única aldeia e mantêm cultivos tradicionais em grandes roças comunitárias e familiares. São também extrativistas, caçam e pescam. Os cerimoniais estão associados à distribuição e consumo de alimentos, além de ritos de passagem, como iniciação masculina e feminina, casamento, nascimento e morte.

 

6 comentários

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  • Vincente Ponceo.
    04 Nov 2019 às 16:08

    Cara!! Que bom que esse povo foram ver o mar,pela 1ª vez. Eles merecem. Essa de ficar só cuidando da floresta,um dia eles teriam que conhecer outras civilizações,outros costumes,etc. Com certeza quando voltarem para suas casa,passaram essas novidades,para seus irmões,na aldeia. Conheci esse indio,gente fina,simpatico,humilde,bem como todos lá da sua tribo,os Mikis,são bem hospitaleiros,como os visitantes. Essa tribo se localiza em Brasnorte. Um grande,abraço a todos.

  • desconhecido
    20 Jul 2018 às 13:35

    "adultos mato-grossenses por serem trabalhadores não visitam o mar pela primeira vez em Santos"

  • ORLANDIR GONÇALVES CAVALCANTE
    20 Jul 2018 às 12:56

    "Mulher ma"... o que tem uma coisa a ver com outra? Acho que voce nem leu a reportagem.

  • Luciano
    20 Jul 2018 às 12:47

    Falta Deus no coração kkkk,

  • Dreza
    20 Jul 2018 às 11:19

    Mulher ma.. apaga mana, que dá tempo

  • Mulher ma
    20 Jul 2018 às 10:54

    Acho um absurdo Enquanto a gente se mata de trabalhar pra viver. Com essa miséria de salário Esses índios não fazem nada na vida Pois o governo paga privilégios pra esses folgados que não trabalham Vivem a nossas custas. Enquanto não temos Segurança Saúde E educação pra nossos filhos. Alegam que não tem verba Mas verba pra esses índios passear tem né.