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"Trabalho do futuro não é necessariamente um emprego" afirma especialista

Da Redação - Thaís Fávaro

31 Dez 2018 - 08:40

Foto: Reprodução Internet

O professor e coordenador do curso de administração da Faculdade de Tecnologia do Ipê (Faipe), Edson Wagner Strasinski, contou ao Olhar Direto as principais tendências para o trabalho do futuro e ressaltou a importância na busca da realização profissional do indivíduo e da flexibilização de horário nas empresas como forma de valorizar os funcionários que cumprem com sua jornada, dando a eles uma oportunidade de desenvolver todo o seu potencial.

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Bancário por mais de 32 anos, Edson conciliou durante sete anos a rotina no banco com a docência e se especializou em Gestão de pessoas nas organizações. Na Faipe ele faz questão de ministrar aulas para todos os alunos do curso de administração no primeiro semestre e tenta ao máximo ministrar alguma disciplina ao longo do curso para avaliar se o aluno está evoluindo. “É importante acompanhar essa evolução, as pessoas nem sempre conseguem fazer a distinção entre trabalho e emprego e no final do curso saem daqui sabendo exatamente que caminho traçar”, afirma.

Para ele, existe uma grande diferença entre trabalho e emprego, “as pessoas começam a cursar um ensino superior pensando no emprego e na verdade ela tem é que buscar um trabalho, porque o emprego é onde ela ganha uma remuneração para a manutenção de vida e o trabalho é onde ela consegue a realização pessoal. Se você for um felizardo como eu, você encontra o emprego e o trabalho ao mesmo tempo, como professor eu amo o que eu faço e o Marcos Crepaldi (diretor geral da Faipe) ainda me paga por isso, é uma maravilha” afirma.

Ele explica que muita gente ainda não se deu conta dessa diferença e que acabam optando pelo curso que pode fornecer um bom salário no futuro, mas nem sempre em uma área profissional da qual se identifica. “existe uma busca constante de conciliar emprego com trabalho, eu acredito que cerca de 15% das pessoas já tenham conseguido isso, fazer aquilo que gosta e ter uma oportunidade de ganhar uma renda com isso, mas a maioria ainda nem conseguiu distinguir, alguns acabam trabalhando em uma função diferente da escolhida na faculdade”.

Outro ponto que o professor esclarece aos alunos é sobre a jornada de oito horas de trabalho na maioria das empresas, ele afirma que “a flexibilização das questões de trabalho que muitos não veem com bons olhos, eu particularmente acho que é uma forma de valorizar as pessoas que tem compromisso, porque uma coisa é a pessoa estar no trabalho, outra coisa é ela estar trabalhando. Se o horário dela de serviço é das 7h às 17h e quando chega 11h ela já conseguiu terminar o serviço dela, não tem porque ela continuar na empresa só para cumprir questão de horário, isso não é lesar o patrão, porque o trabalho está feito, o serviço foi cumprido”, esclarece.

Edson defende uma abertura por parte dos empregadores como forma de dar qualidade de vida aos colaboradores e se adequar as tendências do mercado atual, “as empresas ainda vivem uma série de amarras que impedem que o ambiente possa evoluir com o momento que estamos vivendo, o trabalhador do futuro vai ter que desenvolver competências socioemocionais porque isso traz benefícios não só para a organização, mas também para o indivíduo, dando um reflexo muito positivo para a sociedade”.

Ele pontua que ao desenvolver essa flexibilização, o funcionário consegue cumprir com seus objetivos, fazer o que a empresa precisa e ainda conseguir tempo para se dedicar também as atividades que agregam saúde e qualidade de vida, “se um funcionário consegue aproveitar melhor o seu tempo, fazer coisas que lhe dão prazer sem abrir mão do seu emprego, da sua fonte de renda, ele dificilmente terá depressão, dificilmente irá sofrer de ansiedade, angustia, síndrome do pânico. Então indiretamente a sociedade é beneficiada com o desenvolvimento de competências socioemocionais porque o Sistema Único de Saúde (SUS) vai gastar muito pouco com essa pessoa no que tange principalmente as doenças de cunho emocional e intelectual”, afirma.

“As organizações estão mudando porque elas percebem que para desenvolver esse potencial que o ser humano tem, é necessário que permitam que eles utilizem a criatividade, então você já vê empresas com menos amarras, lançando mão do home office para que as pessoas possam trabalhar de casa, já existe empresa que não tem aquele policiamento tão grande com relação a cumprimento de horário porque o cumprimento de horário são coisas da revolução industrial, do começo do século passado, são variáveis que dentro da realidade atual, em que você procurar realizar o autoconhecimento, o relacionamento interpessoal, essas variáveis se tornam nulas porque a pessoa que sabe que tem um compromisso com a empresa, ela vai cumprir esse compromisso”, pontua.

Para ele, uma das chaves para a melhoria na qualidade de vida do indivíduo está diretamente ligada a mudança na gestão do tempo, porém ele alerta “a maior dificuldade que ainda temos são nas empresas, a maioria ainda não estão abertas para esse tipo de trabalho, sabem da importância dessa qualificação para o funcionário mas ainda estão presos a velhas amarras do mercado empresarial".
 
Para a geração que está iniciando um curso superior, buscando uma formação, Edson esclarece “essa geração que vemos agora é a geração Z, são jovens nascidos entre os anos de 1990 e 2010, é a geração que nasceu já com essa grande oferta de aparelhos tecnológicos, que querem tudo pra ontem. A principal diferença que vejo nessa geração é que eles não iniciam um curso superior procurando um emprego, como acontecia com os pais no passado, a grande maioria busca ser patrão, ter seu próprio negócio porque já não aceitam receber ordens e seguir regras que vão contra o que eles acreditam, eles entram em um curso pensando na empresa que vão montar, querem dinheiro rápido, realização profissional e independência”.

Para aqueles que querem buscar uma graduação, mas ainda não decidiram qual curso superior pretendem cursar, o professor dá uma dica, “eu acredito que o curso de administração é muito completo e dá ao aluno a possibilidade de se especializar em diversas áreas, inclusive de administrar a própria empresa”, finaliza.

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