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Lúdio diz que há demanda para aumentar CEJAs: '2 milhões em MT não concluíram a educação básica'

Da Redação - Isabela Mercuri

18 Nov 2020 - 09:05

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Lúdio diz que há demanda para aumentar CEJAs: '2 milhões em MT não concluíram a educação básica'
O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) afirmou que não houve diálogo da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e o Fórum da Educação de Jovens e Adultos antes do anúncio de fechamento das 21 unidades dos Centros de Educação de Jovens e Adultos (Cejas). Além disso, há outras decisões - como fechamento das escolas do campo e de escolas com menor número de matriculados, sinalização para terceirização dos Centros de Formação e Atualização dos Profissionais de Educação Básica (Cefapros) e o fim da gestão democrática nas escolas – que a nova gestão da pasta quer colocar em prática.

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“A impressão que eu tenho é que a própria saída da Marioneide tem a ver com essas mudanças”, declarou o deputado. Marioneide Kliemaschewsk deixou a pasta no último dia 30 de outubro. Quem assumiu foi Alan Porto, que era secretário adjunto executivo da Seduc.

Lúdio se reuniu com o Fórum e com Alan Porto na segunda-feira (16). Depois disso, o secretário se comprometeu a fazer um novo estudo e apresentar suas propostas para os Cejas em uma nova reunião no dia 27 de novembro. “A educação de jovens e adultos é uma modalidade muito delicada de ensino. Porque trabalha com um público na juventude que é trabalhador, que é mais vulnerável, e a população adulta que não teve oportunidade de acesso à educação no período do tempo certo. Então exige um formato especial para ela acontecer”, explicou o deputado.

“O formato hoje, que o estado adota, é dos Centros De Educação de Jovens e Adultos, que é uma unidade específica para atender a jovens e adultos, no formato EJA, e algumas escolas de ensino regular tem um turno todo dedicado à educação de jovens e adultos. A nossa defesa é para que os CEJAs não sejam fechados, eles sejam mantidos e potencializados em seu papel, porque há uma demanda enorme. Dois milhões de habitantes do estado não concluíram a educação básica no tempo certo. É um público potencial para a Educação de Jovens e Adultos. Nós estamos com 171 mil analfabetos em Mato Grosso ainda. E esse público precisa de um ambiente próprio, de uma modalidade própria de formação, não dá para colocar o idoso, o migrante, o jovem rebelde, o jovem vulnerável no mesmo ambiente. Ele precisa de um ambiente especial para levar à frente seu processo de formação”, completou.

Segundo Lúdio, a ideia do governo de transferir estas salas de aula para o período noturno de escolas regulares não funciona porque as turmas seriam muito pequenas e a convivência com outros alunos provoca aumento da evasão escolar. “O CEJA se transforma num espaço de sociabilidade, e todos estão no mesmo patamar, todos com o mesmo perfil, com a mesma identidade, então há um processo de pertencimento àquele espaço, e a equipe que trabalha é uma equipe qualificada para trabalhar a educação de Jovens e Adultos, é uma equipe mais ampla”.

Além disso, há também a questão de o ensino de jovens e adultos não ser anual, e sim por etapas, adequando-se a cada realidade. Ainda segundo Lúdio, o anúncio inesperado da Seduc causou temor nos servidores. “O pessoal do CEJA ficou sem saber... olha, o que vai acontecer com a gente? Vão desativar o CEJA? Vão remanejar a gente para outras unidades? Como isso vai acontecer? Então por isso a demanda... aí, assim, eu fui procurado, a primeira iniciativa foi essa, vamos sentar com a Seduc, com o Fórum do CEJA para já abrir um diálogo, que foi a reunião que aconteceu ontem”, explicou.

Além da reunião no próximo dia 27 de novembro, Lúdio também apresentou uma convocação dos secretários de Educação e da Casa Civil para um diálogo na Assembleia Legislativa, a respeito desta e das outras pautas. O requerimento deve ser votado na sessão de quarta-feira (18).

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