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Segunda-feira, 08 de março de 2021

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Relembre os impactos das queimadas no Pantanal e assista ao relato de fotógrafo que acompanhou destruição de perto

Da Redação - José Lucas Salvani

21 Dez 2020 - 09:52

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Relembre os impactos das queimadas no Pantanal e assista ao relato de fotógrafo que acompanhou destruição de perto
Nunca se falou tanto sobre as queimadas no Pantanal Mato-grossense como em 2020. A repercussão se justifica quando se leva em consideração que enquanto em 2019 a área queimada em hectares foi de 411 mil, em 2020, o número saltou para 2.387 mil, segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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O repórter fotográfico Rogério Florentino acompanhou de perto a destruição que o fogo trouxe para o Pantanal Mato-Grossense. Em relato exclusivo ao Olhar Direto, o fotógrafo contou quais foram os momentos mais difíceis durante a cobertura para agências de notícias internacionais, como também os momentos que mais lhe marcaram durante os finais de semana que esteve nas áreas mais críticas de destruição.
 

O número de focos de calor também cresceu em toda região do Pantanal Mato-grossense. Dados do Instituto Centro Vida (ICV) apontam que entre janeiro a 15 de novembro de 2020 foram registrados 13.093 focos de calor neste bioma. Já os focos de calor no Cerrado chegaram em 13.712, enquanto na Amazônia mato-grossense são 20.291 focos. Confira abaixo o comparativo dos últimos três anos.
 
2018 
Amazônia: 11.621
Cerrado: 5.762
Pantanal: 649
Total: 18.032

2019
Amazônia: 17.654
Cerrado: 11.653
Pantanal: 1.862
Total: 31.169

2020 
Amazônia: 20.291
Cerrado: 13.712
Pantanal: 13.093
Total 47.096

Símbolo da destruição

Os animais foram os principais atingidos pelos incêndios. Batizada como Ousado, a imagem de uma onça-pintada estampou inúmeras campanhas de arrecadação de fundos para recuperação e manutenção do bioma. O final de sua batalha foi feliz e, em outubro, a onça foi solta em seu habitat natural.

O mesmo final não poderá ser esperado para Amanaci. Curada após mais de 70 dias depois do resgate, onça-pintada não tem mais condições de voltar a viver livre na natureza, já que perdeu funções que a impedem de executar funções básicas para sua sobrevivência, como caçar e escalar, explicou o veterinário Thiago Luczinski, no início de dezembro.
 

Para tentar minimizar os impactos negativos na fauna, o Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), criou o Posto de Atendimento a Animais Silvestres (PAEAS), localizado no quilômetro 17 da Transpantaneira, que liga o município de Poconé (a 102 km de Cuiabá) a Porto Jofre. Segundo a Pasta, o PAEAS resgatou mais de 190 animais feridos das queimadas.

Impacto urbano

Os impactos das queimadas no Pantanal também foram sentidas nas regiões urbanas. Em Cuiabá, no mês de setembro, o índice de qualidade do ar foi de 178 US AQI, o que é considerado insalubre e muito prejudicial à saúde. Em Chengdu, na China, o US AQI é de 152. Já em Nova Deli, capital da Índia, o US AQI registrado é de 157.

Ainda nesse mês, quando também foi registrado o maior número de focos de calor no Pantanal Mato-Grossense, segundo o ICV, Cuiabá chegou a 42,6ºC no dia 11, enquanto no dia 30 a temperatura registrada foi de 43,7ºC
 

Também em setembro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) visitou Mato Grosso. A visita a Sinop não se deu devido às queimadas, mas foi motivada pela inauguração da Inpasa, a maior produtora de etanol de milho do continente. Na ocasião, seu voo arremeteu por causa da fumaça, que também invadiu Cuiabá, fazendo com que a capital se tornasse destaque em telejornais nacionais, como o Hora Um e o Globo News Em Ponto, ambos do Grupo Globo.

Já em outubro, o acidente de um helicóptero da Força Nacional, que atuava em combate às queimadas, chocou o estado. Renato de Oliveira de Souza foi o piloto da aeronave que sobreviveu à queda, porém ele acabou falecendo alguns dias após chegar ao Rio de Janeiro.

Repercussão nacional

Os números preocupantes de destruição da fauna e flora fizeram com que artistas como Almir Sater, Dira Paes, Marcos Palmeira, Mateus Solano, Thaila Ayala e Thiago Lacerda, se manifestassem por meio de uma carta durante uma reunião online da Comissão Externa da Câmara de Deputados, destinada a acompanhar e promover a estratégia nacional para enfrentar as queimadas em biomas brasileiros. A reunião aconteceu em outubro.

Em sua visita a Mato Grosso a trabalho, em setembro, a atriz Grazi Massafera lamentou a destruição nas redes sociais. Também no mesmo mês, Giovanna Ewbank publicou no Instagram um vídeo referente a chegada das chamas no Parque Estadual Encontro das Águas, na região do Porto Jofre. O local é conhecido por ser habitado pela maior quantidade de onças pintadas no mundo.

Alguns membros da classe artística se mobilizaram para arrecadar fundos ao Bioma. O artista plástico cuiabano, Adriano Figueiredo, leiloou 10 quadros da coleção Renascença, enquanto a cantora Anitta leiloou um dos figurinos usados no videoclipe “Me Gusta”, parceria internacional com os rappers Myke Towers e Cardi B.

Ação humana

Os laudos confeccionados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), assim como as investigações da Delegacia Especializada de Meio Ambiente (DEMA), apontaram a origem dos focos de incêndios que assolaram o Pantanal este ano e identificaram os responsáveis pelas áreas. Diversos inquéritos estão sendo finalizados, com o objetivo de responsabilizar os culpados pelos diversos crimes ambientais.

“A ação humana foi preponderante para que o ocorrido este ano, no Pantanal e na Baixada Cuiabana, que resultou em perda do bioma e da nossa qualidade do ar. Foram identificados responsáveis. Como não há violência contra pessoas, é mais difícil um deferimento de pedido de prisão, ainda mais por conta da pandemia. Mas pretendemos atuar tecnicamente para responsabilizar, dentro da parcela de pertencimento criminal de cada indivíduo”, explicou a delegada Alessandra Saturnino, titular da Dema.
 

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