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Segunda-feira, 16 de setembro de 2019

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Boi Gordo leiloa por R$ 67 milhões fazenda de 53 mil hectares; investimento pagará credores

Da Redação - Paulo Victor Fanaia Teixeira

18 Dez 2017 - 11:05

Foto: Reprodução

Cerca de 60 pessoas acompanharam o leilão presencialmente e pela internet.

Cerca de 60 pessoas acompanharam o leilão presencialmente e pela internet.

A massa falida da Boi Gordo leiloou por R$ 67 milhões os 12 lotes de uma fazenda de 53 mil hectares localizadas na região de Comodoro. O arrematante é um consórcio controlado pela Zuquetti & Marzola Participações e Representações Ltda.

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Segundo os credores e o juízo de falência responsável pela ação, a arrematação superou as expectativas. O lance inicial para a compra da fazenda era de R$ 18 milhões, o que representava um deságio de 90% em relação à avaliação dos bens, de R$ 177 milhões. A responsável pela organização do leilão, que reuniu 14 habilitados e teve 43 lances em uma disputa de quase uma hora, foi a empresa Lut Leilões.

Cerca de 60 pessoas acompanharam o leilão presencialmente e pela internet.

Segundo o promotor de Justiça que acompanha o caso, Eronides Santos, da Promotoria de Justiça de Falência do Ministério Público de São Paulo, o trabalho de fechamento da falência deve durar mais 3 anos, devido a uma nova fase de busca de bens dos ex-sócios da companhia.

“Estamos conseguindo trazer para a massa falida da Boi Gordo esses bens desviados, que serão avaliados e leiloados. Nossa expectativa é que a incorporação desses imóveis, a maioria rurais, traga cerca de R$ 500 milhões a mais em bens à massa falida”, comenta Eronides.

A Boi Gordo é a primeira empresa rural que, após falir, ressarcirá seus credores, de acordo com o administrador judicial da Boi Gordo, Gustavo Sauer. “Desde a decretação da falência, vendemos mais de 60 fazendas distribuídas por 220 mil hectares, muitas delas com ágio, tendo levantado cerca de R$ 530 milhões. Com esse dinheiro foram pagos os credores trabalhistas, com cerca de R$ 75 milhões em créditos. No início do próximo ano, pagaremos investidores e todo o passivo tributário”, explica Sauer.

As 12 fazendas vendidas nesta quinta tiverem origem da divisão das Fazendas Realeza do Guaporé I e II, com cerca de 135 mil hectares, que estava avaliada em R$ 525 milhões. Dessa região, a massa falida levantou R$ 319 milhões, o que corresponde a 61% do valor da avaliação.

Segundo o promotor Eronides Santos, “a recuperação desse valor é a maior já registrada em casos de pirâmides financeiras, mas nem sempre é assim. O investidor de boa-fé, normalmente, perde todo capital investido”, diz Santos.

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