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Domingo, 16 de fevereiro de 2020

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Gilmar Mendes foi o ministro do STF que mais concedeu HC nos últimos dez anos

Da Redação - Vinicius Mendes

06 Jan 2020 - 10:33

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Gilmar Mendes foi o ministro do STF que mais concedeu HC nos últimos dez anos
O ministro Gilmar Mendes foi o membro do Supremo Tribunal Federal (STF) que mais concedeu habeas corpus nos últimos dez anos. Levantamento do jornal O Estado de São Paulo apontou que desde 2009 o ministro natural de Mato Grosso assinou 620 HCs. Na reportagem, publicada nesta segunda-feira (6), o jornalista João Ker cita alguns votos e entendimentos do ministro.
 
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Leia a reportagem na íntegra:
 
Gilmar Mendes foi o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que mais concedeu habeas corpus em decisões monocráticas nos últimos dez anos, segundo levantamento feito pelo Estado no acervo processual da Corte. Desde 2009, ele assinou individualmente, sem levar o caso a Plenário, 620 HCs, instrumentos jurídicos usados para garantir a liberdade de um indivíduo ou corrigir arbitrariedades. O segundo colocado, ministro Edson Fachin, deu 395 decisões deste tipo.
 
Entre 2009 e 2015, Gilmar havia concedido 50 habeas corpus em decisões monocráticas. No ano seguinte, foram 61. O salto coincide com o julgamento da descriminalização do porte e consumo de drogas, que teve início em agosto de 2015. Relator da ação, o ministro registrou, em seu voto, que a posse de drogas para consumo pessoal não deve ser criminalizada. Para ele, os casos deveriam ser tratados nas esferas cível ou administrativa – e não na penal.
 
Para Gilmar, a criminalização “conduz à ofensa à privacidade e à intimidade do usuário”, pois desrespeita a “decisão da pessoa de colocar em risco a própria saúde”. O julgamento foi interrompido em setembro daquele ano, após Teori Zavascki, que morreu em janeiro de 2017, ter pedido vista. Além de Gilmar, também votaram os ministros Luís Roberto Barroso e Edson Fachin. Ambos concordaram com a descriminalização, mas apenas para a maconha. O caso está, agora, no gabinete do ministro Alexandre de Moraes. Ainda não há data para que ele seja retomado.
 
Em novembro deste ano, Gilmar adotou entendimento semelhante ao julgar um habeas corpus de uma mulher condenada a seis anos de prisão por portar uma grama de maconha. O voto dele foi seguido pela Segunda Turma, que anulou a sentença e absolveu a mulher.
 
Procurado pela reportagem, o ministro Gilmar Mendes não quis se pronunciar sobre o levantamento.
 
Jurisprudência
 
Em 2019, 4.323 habeas corpus chegaram ao Supremo. Desse total, 807 foram concedidos de forma monocrática em parte ou em sua totalidade. Gilmar foi responsável por 250 deles.
 
Professor da Universidade Mackenzie e advogado criminalista, Rogério Cury, afirma que muitos habeas corpus chegam ao Supremo porque juízes de instâncias inferiores deixam de aplicar a jurisprudência. “Os tribunais de instâncias inferiores deveriam ficar atentos à jurisprudência com maior observância e, talvez, tivéssemos um número menor de HCs no STF. As pessoas só chegam no Supremo porque não conseguiram êxito em outras instâncias, mesmo tendo esse direito”, disse.
 
O advogado Edson Knippel, também professor do Mackenzie, lembra que o habeas corpus é previsto em lei para garantir o direito à liberdade. Segundo ele, ao conceder as medidas, o STF tem resguardado essa prerrogativa. “Do ponto de vista jurídico, temos uma não-aplicação do texto constitucional pelas instâncias inferiores. O processo penal acaba não sendo efetivado pelos órgãos de primeira e segunda instância em muitos estados. Então talvez não haja excesso de HCs, mas de descumprimento da jurisprudência nos tribunais”.

5 comentários

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  • Vettel
    06 Jan 2020 às 13:32

    Tá fazendo hora extra no supremo, "Vs excelência" é um retrocesso para um novo Brasil que se iniciou ano passado!

  • Kesso
    06 Jan 2020 às 13:16

    Esse é o verdadeiro "Fado Padrinho" de qualquer criminoso com dinheiro no país. #STFVergonhaNacional

  • Daniel
    06 Jan 2020 às 13:16

    Bem que o povo o chama de laxante.

  • Lucinha
    06 Jan 2020 às 12:28

    Igual “lactopurga’... kkkkkk

  • jose ricardo
    06 Jan 2020 às 11:55

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