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Sábado, 28 de maio de 2022

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Com câncer de pulmão e tossindo sangue paciente consegue liminar, mas ainda aguarda cirurgia

Com câncer de pulmão e tossindo sangue paciente consegue liminar, mas ainda aguarda cirurgia
A Defensoria Pública de Mato Grosso (DPE-MT) conseguiu decisão judicial para realizar cirurgia na paciente Lucimar Silveira Lima Barros, de 58 anos, que está com câncer de pulmão, tossindo e escarrando sangue. Apesar da vitória judicial, até agora a cirurgia de Lucimar não foi marcada. 

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A paciente está internada Hospital Municipal de Nova Xavantina (652 km da capital) desde o dia 2 de janeiro. A família procurou a Defensoria Pública no dia 14 de janeiro, que no mesmo dia ingressou com uma ação em face do Município e do Estado de Mato Grosso para garantir o tratamento; a Justiça deferiu a liminar no dia 16; ela testou positivo para Covid enquanto estava no hospital e até hoje aguarda pela transferência

“A verdade é que, se nada for feito no sentido de assegurar o tratamento demandado pela autora, ela corre o risco de morte”, diz trecho da ação.

No domingo (16), o juiz plantonista Conrado Machado Simão concedeu a liminar, impondo ao Estado de Mato Grosso e ao Município de Nova Xavantina, em caráter de urgência, a imediata transferência da paciente para um hospital de referência com suporte em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com transporte aéreo, para realização de procedimento de pneumectomia, bem como todo e qualquer outro tratamento necessário, incluindo fornecimento de medicamento, sob pena de implementação de multa em caso de descumprimento da decisão.

“Devíamos ter procurado a Defensoria antes. Foi tudo muito rápido. Ela está precisando desse tratamento para ontem. Ela fez um raio-X aqui no hospital e está com o pulmão direito cheio de água. Tentaram drenar, mas não conseguiram. Enquanto não começar a tratar, ela só vai piorar”, relatou a filha dela, Jucimara Silveira Barros, 33 anos.

Para complicar ainda mais a situação, a técnica de enfermagem foi infectada pelo novo coronavírus enquanto estava internada. “Ela pegou Covid no hospital. Ficou isolada. Foi mais triste ainda. Tínhamos que deixar ela lá sozinha, com dor, retendo líquido. Tinha que levar ela ao banheiro, colocaram a sonda. Graças a Deus, já testou negativo”, revelou a filha, que conta com o auxílio da irmã, do irmão e da tia nos cuidados da mãe.

Na última quinta-feira (20), o defensor público sustentou que a infecção por Covid, em que pese “postergue o parâmetro temporal imposto na decisão – ‘imediatamente’ – não desobriga os requeridos de promoverem desde logo os esforços necessários para viabilizar a transferência da paciente para hospital público ou privado compatível com a sua necessidade, logo a após a liberação médica”.

Devido a todas essas complicações, a família contou que agora ela tosse e escarra catarro com sangue. Lucimar também está retendo muito líquido e, com isso, ficando cada dia mais inchada.

“Como essa retenção de líquido, eles não conseguem mais pegar veia nela. Com muito custo, uma outra técnica conseguiu pegar uma veia no pé. Outro dia pegaram uma veia no pescoço, na jugular. Com tantos furos, as mãos dela ficam minando água”, detalhou a filha.

Entenda o caso – Segundo a família, Lucimar, que é fumante e portadora de diabetes, convive com uma tosse há cerca de dez meses. Ela foi ao médico, que disse que poderia ser refluxo, porque ela engasgava bastante.

“Ela estava com o objetivo de parar de fumar, pois já imaginava que poderia ser algo grave. Começou a ir agravando cada vez mais. Começou a sentir dores, o inchaço na região do pescoço começou a doer e a mão direita começou a crescer bastante”, descreveu a filha.

Depois de retornar ao médico, ela realizou uma tomografia, que constatou um linfoma entre o coração e o pulmão, na região torácica.

“O médico disse que não podia afirmar com 100% de certeza que era câncer, pois não era oncologista, mas a suspeita era de câncer no pulmão. Ele passou um remédio para dor e ela veio para casa. Na outra noite, voltou a sentir muita dor e foi internada. De pronto, entrou na regulação, pedindo uma vaga no Hospital do Câncer, em Cuiabá”, afirmou Jucimara.

Porém, o HC só aceita pacientes que realizaram biópsia, que ainda não foi feita, de acordo com a família. “Os profissionais de saúde daqui não nos orientaram. Na primeira semana, quando ela ainda estava boa, deveria ter realizado a biópsia. Fui a um hospital particular em Barra do Garças. Levei todos os exames lá. É câncer sim. A oncologista explicou a gravidade do problema”, disse a filha.

A família entrou em desespero e chegou a cogitar vender bens pessoais para custear o tratamento. Porém, a médica orientou a família a realizar o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), já que os custos são muito elevados.

“Ficamos amarrados nessa questão do orçamento. Pedimos em Cuiabá na quinta-feira passada. Eles pediram 72 horas. Minha prima ligou no sábado lá. Até agora nada. Como é um pedido judicial, é um orçamento diferente”, afirmou Jucimara.

Já são 22 dias convivendo com essa angústia, com a mãe internada no hospital, aguardando por uma transferência para o tratamento do câncer em um hospital especializado, que, mesmo com a liminar judicial, ainda não foi efetuada.

“O que nós mais queremos é conseguir uma vaga no Hospital do Câncer. Nossa vida está de ponta cabeça. Até as crianças estão transtornadas. Vivemos em prol de cuidar dela. O meu padrasto vai também. A gente leva comida diferente. Cada um se esforça da forma que pode”, desabafou a filha.

De acordo com Passos, coordenador do Núcleo de Nova Xavantina, a Defensoria Pública segue acompanhado o caso de perto e, se necessário, pode solicitar o bloqueio judicial das contas do Estado para garantir o tratamento de Lucimar.

Procurada, a Secretaria Estadual de Saúde ainda não se manifestou sobre o caso.
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