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Quinta-feira, 19 de setembro de 2019

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MPF investiga suspeita de novas invasões na terra indígena Marãiwatsédé

Da Redação - Lázaro Thor Borges

13 Mai 2016 - 09:51

Foto: José Medeiros

Posseiros durante invasão em 2014

Posseiros durante invasão em 2014

O Ministério Público Federal acompanha há duas semanas a movimentação de pessoas no município de Alto Boa Vista, onde há notícias de realização de reuniões públicas para a reinvasão da Terra Indígena Xavante Marãiwatsédé. Conforme informações do MPF em Barra do Garças, as reuniões foram confirmadas em diligê feitas na região pelo órgão e pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

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Contra a ameaça de invasão, a comunidade indígena resolveu intensificar a vigilância sobre o seu território e montou um acampamento no entroncamento das BRs 158 e 242. Com o auxílio da Funai os índios também intensificaram rondas por todo o território.

As informações recebidas pelo Ministério Público Federal foram repassadas à Polícia Federal para oitiva dos possíveis envolvidos. A solicitação dos xavantes e do MPF é de que o governo intensifique os trabalhos de fiscalização sobre o território para que outras invasões não aconteçam na reserva indígena.

A comunidade indígena de Marãiwatsédé obteve a posse da área há cerca de dois anos, após um conflituoso processo de desintrusão que teve início em 11 de dezembro de 2012. A terra, então denominada Suiá Missú, foi alvo de diversas invasões como a que ocorreu em 26 de janeiro de 2014. No território do povo Xavante também ocorreram freqüentes incêndios criminosos. Segundo dados do Instituto Sociambiental (ISA), metade de Marãiwatsédé já pegou fogo no ano passado.

As invasões a reserva são lideradas por posseiros que moravam na área antes do processo de desintrusão. Em setembro de 2015, o Ministério Público Federal denunciou 13 pessoas envolvidas nas sucessivas reinvasões. A terra indígena Marãiwatsédé tem 165.241 hectares e está localizada entre os municípios mato-grossenses de São Félix do Araguaia e Alto Boa Vista. Atualmente, vivem cerca de mil indígenas Xavante. De acordo com a Associação dos produtores da Suiá Missú (Aprosum) mais de 7 mil pessoas moravam na área quando houve a desintrusão.

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